Um estudo da Universidade de Warwick, no Reino Unido, trouxe à luz uma realidade complexa e duradoura para os pais: a privação de sono pós-parto pode se estender por até seis anos após o nascimento de um filho.
A pesquisa, que analisou mais de 4.600 pais, quantifica o custo físico da paternidade, destacando que o padrão de descanso não retorna ao estado anterior à gravidez mesmo após um longo período.
O estudo constatou que o impacto da falta de sono é significativamente maior nas mães, especialmente nos primeiros meses de vida do bebê:
Mães: Dormem cerca de uma hora a menos por noite nos primeiros meses após o parto. A diferença, embora diminua com o tempo, persiste por anos.
Pais: Sofrem alterações de cerca de 15 minutos a menos de sono por noite.
Essa disparidade reflete, em grande parte, o ônus maior que geralmente recai sobre as mães no cuidado noturno do recém-nascido, seja devido à amamentação ou a expectativas sociais e divisões de tarefas.
O fato de a diferença persistir por anos sublinha que a reorganização das rotinas para acomodar as necessidades dos filhos não é temporária. .
O dado mais surpreendente da pesquisa é a constatação de que, após seis anos, o padrão de sono do casal ainda não havia se restabelecido aos níveis pré-gravidez. Isso sugere que o sono interrompido ou reduzido se torna uma nova norma na vida familiar, devido a:
Demandas Noturnas Contínuas: Interrupções por pesadelos, idas ao banheiro, doenças ou simplesmente a necessidade de atenção dos filhos mais velhos.
Ritmos Alterados: O próprio relógio biológico dos pais pode se adaptar a um estado de alerta mais leve e a um sono mais fragmentado.
Apesar dos achados sobre a privação de sono, os pesquisadores ressaltam um lado positivo e vital: a combinação de amor e adaptação consegue equilibrar grande parte do cansaço sentido pelos pais.
O “e daí” desse estudo é que ele fornece uma validação científica para a exaustão que muitos pais sentem. Ele desmistifica a ideia de que a privação de sono é um problema de seis meses, transformando-a em uma jornada de adaptação que dura a primeira infância.
A mensagem final é de empatia e realismo: a noite pode ser longa, mas o ajuste emocional e a alegria da paternidade são os amortecedores contra o cansaço.

