No universo da medicina, algumas práticas de treinamento podem parecer curiosas à primeira vista, mas carregam um peso enorme no processo de formação de futuros profissionais. É o caso do uso de frutas — em especial das uvas — como material pedagógico para a prática de suturas. Essa técnica, simples e ao mesmo tempo extremamente eficaz, vem ganhando notoriedade nas faculdades de medicina ao redor do mundo, despertando curiosidade e reconhecimento entre estudantes e professores.
Os programas de ensino médico frequentemente buscam alternativas mais acessíveis e didáticas para simular a textura e resistência da pele humana. Nesse contexto, a casca da uva se destaca como um material próximo ao tecido real: delicada, fina e sensível. Isso permite que os estudantes experimentem o controle necessário para realizar incisões e suturas, especialmente em casos de pele frágil, como a de idosos ou crianças.
Ao utilizar as uvas, os acadêmicos aprendem a aplicar técnicas delicadas, ajustando pressão, ângulo e movimento do bisturi. O objetivo é desenvolver precisão e sensibilidade, habilidades essenciais que só se adquirem com prática constante. A simulação em fruta proporciona uma experiência inicial de sutura antes que os alunos avancem para modelos mais complexos, como pele sintética ou tecido animal.
Estudos recentes demonstram que o treinamento baseado em uvas pode ser tão eficiente quanto métodos mais sofisticados. Uma pesquisa publicada em 2023 avaliou a performance de residentes em oftalmologia treinados com uvas e verificou melhorias significativas em aspectos como equilíbrio da tensão do fio, uniformidade das suturas e preservação dos tecidos. Os resultados foram comparáveis aos obtidos com simuladores de realidade virtual e modelos de silicone — entretanto, o uso das frutas apresentou vantagem no custo e na disponibilidade.
O baixo custo e a facilidade de acesso são fatores que tornam essa prática cada vez mais popular. Em muitos centros de ensino, bastam fruteiras e utensílios cirúrgicos básicos para que os alunos possam treinar suturas diversas vezes. E o ambiente de aprendizado se torna mais”.
A prática com uvas também é recomendada para simular suturas em peles extremamente finas. Em contextos otorrinolaringológicos, os residentes utilizam-as para exercitar microcirurgias, enquanto em disciplinas cirúrgicas gerais o foco costuma ser no desenvolvimento da coordenação motora fina. Essa metodologia é complementar ao uso de sintéticos e tecidos animais, e não um substituto integral, mas sua importância é reconhecida como parte fundamental da formação inicial.
A incorporação de métodos alternativos reflete uma tendência pedagógica mais ampla no ensino médico atual. As instituições buscam equilibrar a necessidade de replicar condições reais com a urgência de treinar um grande volume de estudantes de forma eficaz e segura. Frutas como uvas, bananas e pêssegos já ocupam um espaço relevante nesse processo, com cada uma oferecendo características que simulam diferentes tipos de pele.
Especialistas em ensino médico defendem que essa técnica também contribui para a redução da ansiedade inicial dos alunos. Ao praticarem em um material inerte e repassável, os estudantes ganham confiança e constroem automação nos gestos cirúrgicos antes de avançar para procedimentos reais. Isso reflete diretamente na qualidade e segurança dos atendimentos, um benefício que transcende a sala de aula.

