A Justiça do Distrito Federal determinou que o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) publique uma retratação pública em suas redes sociais no prazo de 24 horas. A decisão foi motivada pela divulgação de uma imagem falsa envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A montagem, criada por inteligência artificial, mostrava Bolsonaro ao lado de Roberto Campos Neto e do empresário Daniel Vorcaro. Segundo a ação, o encontro retratado nunca ocorreu.
A decisão judicial foi proferida pela juíza Patrícia Vasques Coelho, que acolheu pedido da defesa do ex-presidente. Os advogados alegaram violação à honra e à imagem.
Além da retratação, a magistrada proibiu o parlamentar de voltar a publicar a mesma montagem. Em caso de descumprimento, foi fixada multa.
A postagem original foi feita no dia 1º de fevereiro. Após a repercussão negativa, o conteúdo acabou sendo apagado das redes sociais do deputado.
Mesmo assim, Rogério Correia declarou que não se arrepende da publicação. Segundo ele, a imagem já circulava amplamente na internet.
A defesa de Bolsonaro sustentou que a divulgação por um agente público ampliou o alcance da desinformação. Também argumentou que isso agravou os danos à reputação.
O episódio reacendeu o debate sobre o uso de conteúdos gerados por inteligência artificial na política. Especialistas apontam riscos de manipulação da opinião pública.
A imagem incluía ainda referência ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O banco não se pronunciou oficialmente sobre o caso até o momento.
A decisão judicial enfatizou a responsabilidade de figuras públicas na checagem de informações antes de compartilhar conteúdos. O texto ressalta o potencial dano causado por informações falsas.
Aliados do ex-presidente classificaram a publicação como tentativa de associação indevida. Já apoiadores do deputado minimizaram o episódio.
O caso também ganhou repercussão entre parlamentares de diferentes partidos. Alguns defenderam sanções mais duras para a disseminação de montagens digitais.
Nas redes sociais, o assunto dividiu opiniões. Usuários discutiram limites entre liberdade de expressão e responsabilidade civil.
Juristas consultados apontam que decisões semelhantes tendem a se tornar mais frequentes com a popularização da IA generativa. O entendimento é de que a legislação precisará evoluir.
A retratação exigida deverá permanecer visível nas plataformas usadas pelo deputado. O objetivo é alcançar o mesmo público impactado pela postagem original.
Até o momento, não há confirmação se a defesa de Correia recorrerá da decisão. O parlamentar não detalhou como fará a retratação.
O episódio ocorre em meio a um cenário de forte polarização política no país. Casos envolvendo desinformação têm sido cada vez mais judicializados.
Observadores avaliam que a decisão pode servir de precedente para situações semelhantes. Especialmente quando envolverem figuras públicas.
A defesa de Bolsonaro afirmou que a medida busca reparar danos e evitar novas divulgações. Também destacou a importância de combater notícias falsas.
Nos bastidores políticos, segue a discussão sobre quem manteve encontros oficiais com empresários no Palácio do Planalto. O tema continua sendo explorado por diferentes grupos.
O caso permanece em acompanhamento pela Justiça e pode ter novos desdobramentos conforme o cumprimento da decisão.

