Esposa do piloto preso por suspeita de pedofilia em SP diz que “se sente culpada por nunca ter percebido”

A prisão de um piloto da Latam Airlines Brasil dentro de um avião no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, pelo suposto envolvimento em uma rede de exploração e abuso sexual infantil, ganhou um novo capítulo com o relato da própria esposa do acusado.

Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, foi detido na manhã de segunda-feira (9/2) durante a operação “Apertem os Cintos”, da Polícia Civil de São Paulo, que investiga crimes como estupro de vulnerável, exploração sexual de crianças e adolescentes e pornografia infantil.

A abordagem ocorreu dentro da aeronave moments antes da decolagem, em uma ação planejada pelos agentes justamente para localizar o piloto, cuja rotina de voos dificultava encontrá-lo em casa.

Em depoimento à Polícia Civil, a esposa do piloto — que é psicóloga e casada recentemente com o suspeito — afirmou estar em estado de choque e disse que desconhecia completamente as atividades criminosas atribuídas ao marido.

Segundo a delegada Ivalda Aleixo, diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), a mulher descreveu a situação como “horrorizante”, destacando sua incredulidade diante das acusações e do contexto da prisão.

O relato dela ganhou atenção porque, além de expressar surpresa, revela o impacto humano direto que casos dessa natureza têm sobre famílias, muitas vezes aparentemente alheias aos indícios que motivaram a investigação.

A investigação aponta que o piloto teria operado uma rede estruturada de abuso sexual infantil por cerca de oito anos, incluindo o uso de documentos falsos para levar menores a ambientes onde os crimes teriam ocorrido, além de armazenar e possivelmente distribuir material de exploração sexual.

Durante a mesma operação, uma mulher de 55 anos foi presa sob a suspeita de “vender” suas netas, de 10, 12 e 14 anos, ao piloto em troca de pagamento, o que intensifica a gravidade do caso.

As investigações também identificaram trocas de imagens e pagamentos via aplicativos entre o piloto e familiares de vítimas, parte do que a polícia considera um esquema abrangente de exploração.

Autoridades destacam que o trabalho está em andamento e que novos desdobramentos podem surgir à medida que a análise de dispositivos eletrônicos e depoimentos adicionais sejam concluídos.

O relato da esposa, embora não altere a natureza das acusações, acrescenta uma dimensão humana ao caso e simboliza a perplexidade que crimes dessa magnitude provocam mesmo entre aqueles mais próximos aos suspeitos.

A Polícia Civil reforça que casos envolvendo abuso sexual infantil são prioridades na agenda de segurança pública e que a cooperação da sociedade, com denúncias e informações, é essencial para desarticular estruturas criminosas.

Até o momento, a defesa do piloto não se manifestou publicamente sobre as acusações, e o andamento do processo seguirá sob sigilo parcial, conforme determinações judiciais em curso.

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