Os Correios estão atravessando uma crise financeira grave e estudam fechar cerca de 700 agências espalhadas pelo Brasil. A medida integra um plano de reestruturação ambicioso, anunciado pela nova administração, para tentar reequilibrar as contas da estatal.
Segundo a direção da empresa, a proposta de fechamento visa reduzir custos fixos elevados, em meio a um cenário de prejuízo acentuado e crescente.
O plano inclui também demissões em massa: há previsão de desligamento de até 10 mil funcionários por meio de um Programa de Demissão Voluntária (PDV).
Para conseguir fôlego financeiro, os Correios estão negociando um empréstimo de R$ 10 bilhões, com a União atuando como garantidora.
Essa nova rodada de recursos aparece depois de uma tentativa anterior de captar R$ 20 bilhões, também com aval do Tesouro, que não obteve o retorno esperado de instituições financeiras.
No primeiro semestre de 2025, o prejuízo da empresa chegou a R$ 4,37 bilhões, o que reforça a urgência das medidas.
Uma das ações estratégicas é a criação de um fundo imobiliário: os Correios planejam vender ou alugar imóveis ociosos, entre eles muitos prédios históricos da estatal.
Serão mobilizados cerca de 2.366 imóveis, avaliados em aproximadamente R$ 5,4 bilhões, segundo a proposta de reestruturação.
A venda desses imóveis ajudaria a gerar caixa, além de eliminar a despesa com manutenção de unidades que hoje têm baixa utilidade operacional.
Além disso, a estatal planeja diversificar seus serviços para gerar novas receitas, especialmente em logística direcionada ao setor público, como transporte de vacinas e medicamentos.
A gestão liderada por Emmanoel Rondon aponta que o modelo tradicional dos Correios precisa evoluir, dado o aumento da competição com empresas privadas de logística e e-commerce.
Parte da estratégia é renegociar contratos, cortar despesas administrativas e otimizar sua rede de agências para evitar sobreposição geográfica.
Os Correios também informaram que vão revisar benefícios trabalhistas, incluindo questões relacionadas ao fundo de pensão Postalis, para aliviar a pressão sobre a folha de pagamento.
Para manter liquidez imediata, a empresa suspendeu pagamentos de cerca de R$ 2,75 bilhões relativos a fornecedores, tributos e obrigações com planos de saúde.
A decisão de adiar esses pagamentos faz parte de um esforço desesperado para preservar o caixa diante de uma deterioração rápida das contas.
Analistas financeiros alertam, no entanto, que mesmo com essas medidas, o equilíbrio não será garantido apenas com cortes: é preciso aumentar receitas de forma consistente.
Um dos desafios será equilibrar a necessidade de reestruturação com o compromisso de manter a universalização dos serviços postais, especialmente em cidades menores.
Lideranças sindicais demonstram preocupação: a redução significativa de pessoal pode comprometer a capacidade operacional, especialmente nas regiões mais remotas, onde as agências são poucas.
Por outro lado, a proposta de fundo imobiliário é vista por parte da diretoria como uma forma de transformar ativos subutilizados em receita sustentável.
A reestruturação anunciada pelos Correios é considerada uma tentativa de evitar um colapso financeiro que poderia comprometer completamente a operação da empresa, mas os riscos são elevados e o plano precisará ser executado com rigor.
Se bem-sucedido, esse pacote de medidas pode dar aos Correios o tempo necessário para se reinventar em um mercado cada vez mais competitivo.

