El Salvador se torna o país com maior taxa de encarceramento do mundo após inauguração de mega-prisão

El Salvador alcançou recentemente um marco histórico ao se tornar o país com a maior taxa de encarceramento do planeta. Segundo estimativas oficiais, quase 2% de toda a população está atrás das grades, resultado direto da política de segurança pública adotada pelo presidente Nayib Bukele para enfrentar a violência de gangues no país.

O anúncio ganhou destaque com a inauguração do chamado Centro de Confinamento do Terrorismo, uma unidade prisional de segurança máxima planejada para abrigar até 40 mil detentos. A instalação, considerada uma das maiores do mundo, simboliza a estratégia governamental de endurecimento contra o crime organizado.

A nova prisão foi projetada com áreas de vigilância avançada, celas de alta capacidade e sistemas tecnológicos voltados para impedir qualquer tipo de comunicação externa. Segundo o governo salvadorenho, trata-se de uma medida necessária diante da escalada de homicídios e extorsões atribuídas a facções criminosas.

A iniciativa, no entanto, gerou ampla controvérsia dentro e fora do país. Organizações de direitos humanos criticaram as condições de encarceramento e apontaram riscos de superlotação, mesmo em um espaço de dimensões inéditas. Para os críticos, a política pode reduzir índices de violência momentaneamente, mas não resolve as causas estruturais do problema.

Bukele, por sua vez, defende a estratégia com firmeza. Em pronunciamentos, ele afirmou que “os salvadorenhos podem finalmente dormir em paz” e que o governo não irá recuar diante da pressão internacional. O presidente destacou que, para as vítimas da violência, a redução dos crimes é a principal prioridade.

Nos últimos meses, a taxa de homicídios no país apresentou queda significativa, o que fortaleceu a narrativa governamental de que o endurecimento penal seria o caminho correto. Entretanto, especialistas em segurança pública lembram que números de curto prazo não necessariamente traduzem estabilidade a longo prazo.

A proporção de pessoas presas em El Salvador é hoje a mais alta do mundo, superando inclusive países como Estados Unidos e Rússia. Para cada 100 mil habitantes, mais de 1.500 estão em situação de encarceramento, um dado sem precedentes globais.

A população, em sua maioria, tem demonstrado apoio às medidas, motivada pelo sentimento de segurança nas ruas. Pesquisas de opinião recentes apontam altos índices de aprovação ao governo, mesmo diante das críticas internacionais sobre violações de direitos fundamentais.

As imagens divulgadas pelo governo de dezenas de presos sendo transferidos, muitos deles com o tronco nu e algemados em fileiras, chamaram atenção da comunidade internacional. A cena foi interpretada por setores críticos como demonstração de força, mas também como indício de possível abuso institucional.

Enquanto isso, líderes políticos regionais acompanham de perto a experiência salvadorenha. Há quem veja no modelo um exemplo de combate às organizações criminosas; outros alertam para os riscos de retrocessos democráticos e da consolidação de práticas autoritárias.

Analistas jurídicos têm apontado que as prisões em massa só são possíveis em razão do estado de exceção em vigor no país desde 2022. Essa medida suspendeu garantias constitucionais, permitindo detenções sem ordem judicial, o que já resultou em mais de 70 mil pessoas presas desde então.

A anulação de direitos básicos, como o de defesa imediata, tem sido uma das maiores preocupações de organismos internacionais. Segundo denúncias, há casos de detenções arbitrárias envolvendo inocentes, o que levanta questionamentos sobre a eficácia do modelo.

Bukele, contudo, insiste que o sacrifício temporário de certas garantias é necessário para vencer o poder das gangues, que por décadas dominaram bairros inteiros e impuseram controle social pela violência. Para ele, a prioridade é “resgatar a vida e a liberdade da maioria honesta”.

A mega-prisão inaugurada é apresentada como parte desse projeto de transformação nacional. O governo assegura que as instalações foram feitas para impedir fugas, rebeliões e qualquer contato dos presos com o exterior. O objetivo, segundo autoridades, é neutralizar de forma definitiva a atuação das quadrilhas dentro e fora das celas.

Internacionalmente, a medida divide opiniões. Enquanto alguns governos latino-americanos demonstram simpatia pela firmeza de Bukele, países da União Europeia e entidades ligadas à ONU pedem cautela e maior respeito às normas internacionais de direitos humanos.

O desafio de El Salvador agora será conciliar a redução da violência com a preservação de garantias legais e democráticas. A experiência do país pode se tornar um estudo de caso global sobre os limites entre segurança e liberdade.

Para a população salvadorenha, no entanto, a sensação imediata é de alívio. Muitos relatam que, após anos de medo constante, finalmente podem circular pelas ruas sem receio de serem vítimas de extorsão ou assassinato. Esse respaldo popular sustenta o projeto de Bukele.

Ainda assim, a comunidade internacional segue atenta ao desdobramento das políticas. Se, por um lado, os números indicarem queda sustentável da criminalidade, por outro, cresce a cobrança por respeito aos direitos fundamentais e garantias constitucionais.

El Salvador, portanto, encontra-se em um ponto de inflexão. O país vive entre o reconhecimento popular da política de encarceramento em massa e as críticas globais sobre sua condução. O futuro dessa estratégia poderá redefinir não apenas a segurança interna, mas também a imagem da nação diante do mundo.

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