“Não existe ‘ex-pai’.” A declaração de Iza sobre Yuri Lima reverbera muito além do universo dos famosos — ela desafia noções intimistas de laços biológicos, responsabilidades afetivas e a construção pública de narrativas pessoais.
A artista lançou mão de uma frase curta, mas carregada: “não existe ex-pai”. Esse posicionamento não é só resposta às especulações sobre o passado de Yuri, mas um recado direto à visibilidade de relações paternas em que o vínculo foi rompido, negado ou minimizado.
Em contextos de celebridades, rumores e mentiras circulam com rapidez. Mas no enunciado de Iza há uma tentativa de restabelecer algo que foi apagado ou rejeitado. É um gesto de afirmação: se alguém é pai, é — independentemente de presença contínua ou reconhecimento público.
Iza expõe uma ferida comum: muitas pessoas vivem “meio pai, meio ex-pai” — alguém que aparece e desaparece conforme conveniências.
Ao rejeitar essa categoria, ela propõe uma lógica ética diferente: ou se assume a paternidade integralmente ou ela não existe.
Esse tipo de discurso afeta profundamente a esfera simbólica. Questiona o valor social atribuído ao pai que “cumpre suas obrigações” apenas em parte, só quando convém, e depois se retira.
A artista combate a romantização da figura paterna intermitente.
Há também uma dimensão de poder narrativo: ao tornar pública essa afirmativa, Iza rompe barreiras do que tradicionalmente é permitido — celebridades falam de conquistas e amores, mas raramente abordam violências intimas. Aqui, ela traz ao centro o abandono, a negação.
Para Yuri, essa versão pública reconfigura como será visto pela sociedade — não mais como “filho de”, mas sujeito que sofreu silenciamento, que não teve reconhecimento pleno. Isso pode inspirar outras pessoas a questionarem versões oficiais de suas histórias.
No entanto, o gesto não está isento de riscos. A exposição de intimidades pode ser apropriada, distorcida ou transformada em espetáculo. Mesmo com toda a legitimidade moral, esse tipo de afirmação exige resistência para não ser absorvida pelas dinâmicas de fofoca e sensationalismo.
Mais que uma celeuma de celebridades, o episódio escancara o debate sobre identidades fragmentadas em famílias modernizadas: exclui-se, separa-se, relativiza-se laços afetivos — tudo em nome de conveniências culturais ou econômicas.
Ao afirmar com força que “não existe ex-pai”, Iza não apenas encerra rumores: ela propõe uma redefinição radical de vínculo familiar, impõe que ausência não legitima renúncia e convoca um olhar mais exigente sobre responsabilidade, pertencimento e memória.
E fica a reflexão: se aceitarmos que “ex-pai” é categoria legítima, estaremos naturalizando o abandono como parte da norma. Se exigirmos que só valha o vínculo pleno, estaremos buscando uma ética relacional ainda em construção — mas justa

