O Supremo Tribunal Federal entrou em mais um capítulo decisivo da história recente do país ao julgar a Ação Penal 2668. O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, foi categórico ao afirmar que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria atuado como líder de uma organização criminosa, responsável pela tentativa de ruptura institucional que marcou a cena política brasileira nos últimos anos.
Durante a leitura de seu voto, Moraes frisou que Bolsonaro (instigou milhares de pessoas contra o Supremo Tribunal Federal) em um dos momentos mais tensos de sua gestão: o discurso de 7 de setembro de 2021. Na ocasião, as palavras do então chefe do Executivo foram classificadas pelo ministro como (atitudes criminosas) que colocavam em risco a integridade das instituições.
Segundo Moraes, as declarações do ex-presidente ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e configuraram verdadeira ameaça contra a democracia. Para ele, os ataques reiterados ao Poder Judiciário tinham um objetivo claro: desacreditar as eleições e criar um ambiente propício à desestabilização institucional.
No voto, o ministro detalhou que as evidências colhidas ao longo das investigações apontam para a existência de uma estrutura organizada, com hierarquia definida e pelo menos treze atos executórios planejados. Todos esses movimentos tinham como meta reverter o resultado das eleições de 2022, mantendo Bolsonaro no poder de maneira ilegítima.
Entre os elementos apresentados, Moraes destacou mensagens trocadas entre Bolsonaro e Alexandre Ramagem, então diretor da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). De acordo com ele, tais comunicações evidenciam não apenas proximidade, mas também uma coordenação estratégica voltada para enfraquecer a confiança no processo eleitoral.
O ministro afirmou que a análise do material colhido mostra uma articulação sistemática, que se valeu de diferentes frentes: o uso de estruturas estatais, a disseminação de desinformação e a mobilização de apoiadores por meio de discursos inflamados. Tudo isso, segundo Moraes, caracterizaria a tentativa de golpe de Estado.
Ainda em sua manifestação, o relator enfatizou que o episódio de 7 de setembro não foi um ato isolado. Para ele, tratou-se de uma peça fundamental em um roteiro previamente delineado. As manifestações de rua e os ataques verbais ao STF, segundo Moraes, integraram uma engrenagem cuidadosamente construída.
Ao classificar Bolsonaro como líder dessa rede, Moraes buscou ressaltar que não se tratava apenas de uma postura política radical, mas de um esforço coordenado para minar a ordem constitucional. Nesse sentido, apontou que os indícios não podem ser reduzidos a meras opiniões, mas sim interpretados como provas de atos criminosos.
A argumentação também buscou contextualizar o fenômeno dentro de um cenário mais amplo. Moraes lembrou que, em diferentes países, a tentativa de enfraquecer instituições democráticas parte justamente da propagação de discursos que deslegitimam o processo eleitoral e o papel do Judiciário como guardião da Constituição.
O ministro frisou que o caso brasileiro precisa ser compreendido dentro dessa lógica global, em que a retórica autoritária se transforma em combustível para ações práticas de ataque ao Estado de Direito. Na sua avaliação, Bolsonaro teria utilizado a mesma fórmula: incitar, mobilizar e tentar concretizar a ruptura.
Ao expor seu voto, Moraes também se dirigiu aos demais ministros, destacando que a gravidade dos fatos não permite relativizações. Para ele, ignorar a dimensão criminosa dessa articulação seria abrir brecha para que novos ataques semelhantes pudessem ocorrer no futuro.
A narrativa apresentada no plenário reforçou a ideia de que a tentativa de golpe não se deu de forma improvisada. Houve, conforme ressaltou Moraes, uma linha de continuidade entre os discursos, os bastidores e a execução de ações que visavam desestabilizar a democracia.
Esse enquadramento jurídico proposto pelo ministro teve ainda o objetivo de evidenciar que os crimes em análise não atingem apenas adversários políticos, mas a sociedade como um todo. O ataque, segundo Moraes, foi contra o próprio sistema democrático e, portanto, contra todos os cidadãos.
O relator foi além, afirmando que os eventos de 2022 e seus desdobramentos se tornaram marcos de um projeto autoritário que precisa ser responsabilizado em sua totalidade. Na sua visão, deixar sem resposta adequada seria legitimar práticas contrárias à Constituição.
Em sua fala, Moraes buscou também reforçar a importância de um posicionamento firme do Supremo, destacando que cabe à Corte o papel de assegurar a continuidade das instituições diante de ameaças internas. Nesse ponto, ressaltou que a preservação do Estado de Direito não admite concessões.
Ao final, o ministro construiu um voto que não apenas aponta responsabilidades, mas também sinaliza um alerta à sociedade. A democracia, em sua avaliação, precisa de vigilância constante e punição exemplar para quem se volta contra suas bases.
O julgamento segue em andamento, mas a manifestação de Moraes já se tornou um marco dentro do processo. Sua narrativa sintetiza a visão de que os fatos analisados ultrapassam divergências políticas e se inscrevem no campo da criminalidade organizada.
A repercussão imediata foi ampla. Especialistas em direito constitucional destacaram a dureza das palavras do ministro, mas reconheceram que a gravidade do caso exige posicionamento à altura. A caracterização de Bolsonaro como líder de uma organização criminosa, afirmaram, reposiciona o debate em termos jurídicos e não apenas políticos.
Enquanto a decisão final não é consolidada, o país acompanha o julgamento com expectativa. O resultado terá impacto não apenas na trajetória do ex-presidente, mas também na forma como o Brasil enfrentará desafios futuros à sua democracia.
No centro dessa discussão, permanece a convicção expressa por Moraes de que nenhum líder, por mais popular que seja, pode se sobrepor à Constituição. A lição que se busca consolidar é clara: a democracia brasileira não admite golpes, disfarçados ou explícitos.


ESTE MORÃES QUE DE QUALQUER JEITO PREJUDICAR NOSDO BOLSONARO MAS DEUS TA NO CONTROLE.