Dois terços dos cidadãos em nove países da União Europeia indicaram, em pesquisa recente, que não confiam na capacidade de seus Estados de resistir a um ataque militar da Rússia. A sondagem, conduzida pelo instituto Cluster 17 para o portal editorial Le Grand Continent, ouviu cerca de 9.500 pessoas, entre o final de novembro e o início de dezembro de 2025.
Segundo o levantamento, 69% dos entrevistados afirmaram não acreditar que seus exércitos conseguiriam defender seus territórios num eventual confronto com Moscou. Esse ceticismo coletivo ocorre justamente em um momento de intensificação das tensões entre Europa e Rússia, com declarações recentes de líderes russos sinalizando disposição para conflito.
Entre os países com menor confiança na própria defesa, destacam-se Bélgica, Itália e Portugal — todos com índices superiores a 85% de descrédito quanto à capacidade de reação militar. Por outro lado, a França surge como o país com maior percentual de autoconfiança, embora mesmo ali a maioria tenha manifestado dúvidas: 51% dos franceses relatou não acreditar na eficácia de suas forças armadas contra a Rússia.
Os analistas que elaboraram a sondagem sugerem que a disparidade entre os países pode ser parcialmente explicada por fatores geográficos. Na avaliação deles, nações mais distantes do território russo tendem a sentir menos expectativa de um confronto direto — o que se traduz em menor convicção sobre a necessidade ou viabilidade de se preparar militarmente.
O resultado da pesquisa ocorre em um contexto de rearmamento progressivo na Europa. Desde o início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, diversos países da UE têm revisto seus orçamentos de defesa, anunciado aquisições de armamento e reforçado cooperações militares visando aumentar a capacidade de dissuasão. Mesmo assim, grande parte da população não parece convencida de que tais medidas sejam suficientes para enfrentar um eventual ataque russo.
O clima de insegurança é intensificado pelas recentes declarações do presidente russo Vladimir Putin, que afirmou que a Rússia estaria “pronta neste momento” para lutar contra a Europa caso esta optasse por um confronto. A fala reforçou percepções de vulnerabilidade no continente.
A incerteza sobre a prontidão militar também se combina com uma significativa preocupação com a possibilidade de guerra aberta. Em média, 51% dos entrevistados consideram a probabilidade de conflito com a Rússia como “alta” ou “muito alta”. A apreensão é particularmente intensa em países mais expostos historicamente às ameaças russas, como a Polônia — onde 77% estimam que o risco de guerra é elevado.
Por outro lado, em nações como Itália e Portugal, a percepção de risco direto tende a ser menor, o que se reflete no pessimismo generalizado sobre a capacidade de defesa. Esse ceticismo coletivo indica que, para grande parte da população, os investimentos recentes em defesa não inspiram confiança suficiente para enfrentar uma guerra convencional com a Rússia.
A dúvida sobre preparação militar divide também as expectativas sobre o papel da OTAN (NATO). Muitos europeus parecem considerar que um conflito com a Rússia dificilmente seria assumido por seus países isoladamente — embora a sondagem não tenha explorado com profundidade essa hipótese de defesa coletiva.
Para analistas de segurança, os resultados refletem uma desconfiança persistente entre a população sobre as estruturas atuais de defesa e o real compromisso coletivo capaz de garantir a segurança em caso de agressão russa. Ao mesmo tempo, a disparidade nos dados sugere que o sentimento varia bastante conforme contexto nacional e proximidade geopolítica com Moscou.
Em meio a esses dados, cresce o debate político sobre o que seria necessário para restaurar a confiança pública: reforço das Forças Armadas, maior transparência sobre planos de defesa, integração mais sólida entre países da UE e investimentos estratégicos em dissuasão. A reintrodução de serviço militar ou obrigações cívicas de defesa, por exemplo, já é debatida em alguns países.
Entretanto, não há consenso popular sobre tais medidas. Em várias nações, o apoio a aumentos substanciais dos gastos militares ou à obrigatoriedade do serviço militar permanece limitado — mesmo em meio ao medo generalizado de conflito.
Alguns especialistas alertam que a crença de que “um país sozinho poderia enfrentar a Rússia” é ilusória: em caso de guerra real, a logística, o preparo técnico e o apoio internacional seriam fundamentais para qualquer esforço de defesa. A percepção pública de fragilidade pode refletir justamente essa consciência.
Outro ponto de discussão recai sobre o tipo de ameaça considerada: os resultados da pesquisa foram obtidos em contexto de guerra convencional, mas muitos analistas acreditam que um eventual conflito com a Rússia tenderia a ser híbrido — envolvendo ciberataques, guerra de informação, sanções econômicas e pressão diplomática. Nesse cenário, a prontidão militar tradicional poderia não ser suficiente.
Para além da defesa, a pesquisa revela ainda uma preocupação crescente com a segurança em diversos níveis: estabilidade política, segurança energética e social, e a manutenção de alianças internacionais. A ameaça russa é vista não só como militar, mas como um fator que pode desestabilizar todo o equilíbrio europeu.
Em linhas gerais, o resultado revela um duplo dilema: a urgência percebida de reforçar a segurança e, ao mesmo tempo, a desconfiança de que os esforços atuais sejam suficientes. Isso gera uma tensão entre expectativas de proteção e ceticismo quanto às reais capacidades de defesa.
Para formuladores de políticas públicas, a pesquisa representa um alerta contundente: se a Europa pretende garantir sua segurança, precisará não apenas investir em equipamentos e arsenais, mas ganhar de volta a confiança de sua população — demonstrando preparo estratégico, coesão política e visão de longo prazo.
No final, o sentimento predominante entre os cidadãos nos países pesquisados é de vulnerabilidade. A maioria acredita que, diante de uma ofensiva russa, suas nações estariam despreparadas. Essa percepção molda a pressão sobre governos e instituições internacionais para que definam, em conjunto, uma estratégia de defesa realista e eficaz.
Enquanto isso, o debate público prossegue: como conciliar investimentos em segurança, coesão entre países e garantias de que a paz e a estabilidade sejam preservadas? A pesquisa utilizada não aponta respostas definitivas, mas revela claramente o clima de incerteza e apreensão que domina grande parte da Europa neste momento.
Se desejar, posso elaborar uma versão desse texto com projeções para os próximos anos: riscos, cenários possíveis e repercussões geopolíticas — tudo com base em relatórios recentes sobre defesa europeia e postura da Rússia.

