Desistência de Tarcísio faz PT temer que Flávio dispare já nas próximas pesquisas

A sinalização do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de que não deixará o cargo para disputar a Presidência da República em 2026 passou a redesenhar o cenário político nacional. A decisão provocou reações imediatas em partidos de esquerda, especialmente no PT, que passaram a avaliar novos riscos eleitorais.

 

Nos bastidores petistas, a leitura predominante é de que a desistência de Tarcísio pode acelerar a consolidação de um nome forte da direita já nas primeiras pesquisas de intenção de voto. O principal beneficiado, segundo essas avaliações internas, seria o senador Flávio Bolsonaro.

 

A preocupação ganhou força após Tarcísio afirmar publicamente que permanecerá no governo paulista e que pretende atuar ativamente no fortalecimento da pré-candidatura apoiada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O governador indicou que sua atuação terá alcance nacional, ainda que sem concorrer diretamente ao Planalto.

 

Ao descartar uma candidatura própria, Tarcísio reduz a fragmentação do campo conservador, algo visto como estratégico por aliados de Flávio Bolsonaro. Para integrantes do PT, esse movimento tende a concentrar votos que poderiam se dispersar entre diferentes nomes da direita.

 

Dirigentes petistas avaliam que a reorganização do campo adversário pode ocorrer já no primeiro turno, alterando projeções feitas até agora. A leitura é de que um único candidato competitivo amplia o potencial de crescimento nas pesquisas iniciais.

 

A apreensão se intensificou depois que Tarcísio declarou que seguirá a orientação política de Jair Bolsonaro e que sua prioridade será oferecer suporte institucional e político ao senador. A fala foi interpretada como um gesto de alinhamento direto com a estratégia eleitoral do bolsonarismo.

 

No PT, o entendimento é de que Tarcísio mantém capital político relevante fora de São Paulo, sobretudo entre eleitores conservadores moderados. Esse apoio, mesmo indireto, pode funcionar como aval para Flávio junto a segmentos ainda indecisos.

 

Pesquisas recentes passaram a ser usadas internamente como argumento para o alerta. Um levantamento do Instituto Futura em parceria com a Apex indicou Flávio Bolsonaro numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em parte dos cenários testados.

 

Em três de seis simulações de primeiro turno, Flávio aparece em vantagem. Em um dos cenários, o senador registra 43,8% das intenções de voto, enquanto Lula soma 38,7%, diferença considerada relevante por analistas eleitorais.

 

Para lideranças do PT, os números ainda não são definitivos, mas funcionam como sinal de tendência. A avaliação é de que o efeito da desistência de Tarcísio pode não estar totalmente refletido nos levantamentos atuais.

 

Integrantes da esquerda destacam que pesquisas realizadas com grande antecedência da eleição costumam oscilar. Ainda assim, admitem que o ambiente político começa a se mostrar mais competitivo do que o previsto anteriormente.

 

A estratégia do PT, segundo interlocutores, passa a incluir a necessidade de reforçar a base eleitoral e ampliar alianças regionais desde já. O objetivo é evitar que a direita chegue ao início oficial da campanha com vantagem consolidada.

 

No entorno de Lula, auxiliares avaliam que o presidente mantém força eleitoral significativa, sobretudo entre eleitores de menor renda e em regiões historicamente favoráveis ao PT. A preocupação, no entanto, é com o desempenho em grandes centros urbanos.

 

Analistas políticos observam que a decisão de Tarcísio também preserva sua própria projeção futura. Ao permanecer no governo paulista, ele evita riscos eleitorais imediatos e mantém influência no debate nacional.

 

Esse cálculo é visto como pragmático por aliados e adversários. Para a esquerda, contudo, o efeito colateral é o fortalecimento de um adversário que passa a disputar espaço sem concorrência direta no mesmo campo ideológico.

 

O senador Flávio Bolsonaro, por sua vez, vem intensificando agendas públicas e articulações políticas, ampliando sua exposição nacional. O apoio explícito do governador de São Paulo tende a reforçar essa movimentação.

 

No Congresso, parlamentares de esquerda acompanham com atenção a evolução do cenário e defendem respostas políticas coordenadas. A leitura é de que a eleição de 2026 pode ser definida por movimentos antecipados.

 

Especialistas apontam que a consolidação precoce de candidaturas costuma influenciar financiamentos, alianças partidárias e tempo de exposição na mídia. Esses fatores podem ampliar a vantagem de quem sai na frente.

 

Apesar do clima de apreensão, dirigentes do PT evitam declarações públicas mais duras neste momento. A estratégia é tratar o cenário com cautela e evitar alimentar narrativas adversárias.

 

Ainda assim, internamente, a avaliação é de que a desistência de Tarcísio muda o tabuleiro eleitoral e exige ajustes na estratégia do partido. O foco passa a ser impedir que Flávio Bolsonaro dispare já nas próximas pesquisas.

 

Com mais de um ano até o início oficial da campanha, o cenário segue aberto. No entanto, os movimentos recentes indicam que a disputa presidencial de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos do que o esperado inicialmente.

 

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