O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia o ano de 2026 em um cenário político marcado por forte desaprovação por parte da população brasileira. Uma nova pesquisa de opinião pública divulgada no final de janeiro aponta que a rejeição ao desempenho pessoal do chefe do Executivo atingiu 57%, um índice que destaca a insatisfação em um contexto de ano eleitoral.
O levantamento foi realizado pelo PoderData entre os dias 24 e 26 de janeiro, com uma amostra de 2.500 entrevistas distribuídas em todas as regiões do país. O resultado aponta que apenas 34% dos entrevistados disseram aprovar a atuação de Lula, enquanto 9% não souberam ou não quiseram responder.
A margem de erro do estudo é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%, o que confere robustez estatística aos dados. Esses números marcam um aumento na desaprovação em comparação com o final de 2025, consolidando um movimento de desgaste na imagem pessoal do presidente.
Análises demográficas mostram padrões distintos de avaliação entre os diversos segmentos da população. Entre os homens, por exemplo, a desaprovação alcança 59%, enquanto 33% afirmam aprovar o desempenho de Lula. Entre mulheres, os índices de aprovação são ligeiramente maiores, ainda que a maioria continue desaprovando o presidente.
A avaliação por faixa etária também reflete variações significativas. Pessoas de 25 a 44 anos são as que mais criticam a gestão, com 60% de desaprovação, enquanto os jovens entre 16 e 24 anos registram uma proporção mais equilibrada entre aprovação e rejeição.
O levantamento ainda revela que as percepções sobre Lula variam consideravelmente conforme a região geográfica. No Nordeste, tradicional base de apoio ao Partido dos Trabalhadores (PT), a aprovação pessoal do presidente é mais elevada do que em outras regiões, embora não ultrapasse a barreira da maioria absoluta.
Em contraste, as regiões Centro-Oeste e Sul apresentam os piores índices de desaprovação, chegando a 69% e 66%, respectivamente. Esses dados indicam que a rejeição ao presidente é especialmente intensa em áreas fora do Nordeste, que historicamente concentram eleitores mais críticos ao PT.
Outro recorte relevante aponta para a influência da renda familiar na avaliação. Indivíduos com renda superior a cinco salários mínimos apresentam níveis de desaprovação próximos de 70%, enquanto entre as faixas de renda mais baixa os índices negativos são menores, porém ainda predominantes.
De acordo com especialistas em pesquisas de opinião, a combinação de fatores econômicos, expectativas em relação ao ano eleitoral e eventos políticos recentes pode estar impactando a percepção dos eleitores sobre a liderança de Lula e sua capacidade de governar.
A pesquisa também avaliou a percepção dos brasileiros sobre o governo como um todo, não apenas a figura pessoal do presidente. Nesse caso, a desaprovação fica em torno de 53%, enquanto a aprovação atinge cerca de 41%, sugerindo que a gestão governamental como instituição ainda mantém níveis de aceitação relativamente superiores aos do presidente individualmente.
Analistas observam que essa diferença entre a desaprovação pessoal de Lula e a desaprovação ao governo pode indicar que eleitores criticam mais o chefe do Executivo do que as políticas públicas em si, um fenômeno que pode influenciar as estratégias de campanha dos partidos nos próximos meses.
Os dados também mostram que, ao longo dos últimos dois anos, houve tendência de crescimento da rejeição ao desempenho de Lula. Em março de 2024, a desaprovação pessoal estava em torno de 50% e a aprovação alcançava números bem mais equilibrados, o que indica uma deterioração da percepção pública ao longo do tempo.
Esse padrão de avaliação negativa se alinha com outros levantamentos recentes que indicaram oscilações na popularidade do presidente e em que, em certos momentos, a rejeição superou a aprovação em diferentes regiões e contextos.
O início de um ano eleitoral tradicionalmente intensifica o escrutínio público e a polarização política. Em 2026, com a perspectiva de uma campanha acirrada e possíveis candidaturas competitivas, esses índices de desaprovação ganham ainda mais relevância para partidos, analistas e eleitores.
Pesquisadores afirmam que a proximidade com o período de votação pode influenciar a dinâmica de opinião pública, levando eleitores a expressarem avaliações mais duras a figuras políticas em ascensão ou em desgaste.
Por outro lado, setores favoráveis ao presidente destacam conquistas em áreas como programas sociais, afirmações sobre estabilidade econômica e iniciativas internacionais, buscando equilibrar o debate em meio às críticas.
Em resposta aos resultados, integrantes do governo afirmaram que números de pesquisas não devem ser interpretados isoladamente e que, ao longo do mandato, houve avanços em indicadores sociais e econômicos que impactam a vida dos brasileiros.
Entretanto, críticos da gestão argumentam que a persistente alta rejeição reflete frustrações acumuladas com questões como inflação, emprego, segurança pública e percepções sobre a condução das políticas públicas.
À medida que o processo eleitoral avança, partidos de oposição devem explorar esses números para reforçar críticas e construir narrativas próprias, ao passo que a base governista procura ampliar apoios e contrapor análises negativas com ênfase em realizações de governo.
Com menos de um ano para as eleições, a evolução dos índices de aprovação e desaprovação será monitorada de perto por analistas políticos, campanhas e meios de comunicação, oferecendo uma prévia das inclinações e prioridades dos eleitores brasileiros em 2026.

