Defesa do Bolsonaro tem até hoje para explicar sobre violação na tornozeleira eletrônica do ex presidente

A defesa de Jair Bolsonaro tem até às 16h30 deste domingo (23) para apresentar suas explicações sobre uma violação grave de sua tornozeleira eletrônica.

O mandado partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a divulgação de um relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (SEAPE-DF).

No documento, há menção a “sinais claros e importantes de avaria”: marcas de queimadura ao redor do dispositivo, próximo ao local de encaixe do case.

Segundo a perícia, o próprio Bolsonaro admitiu ter usado um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira.

A SEAPE também encaminhou ao STF um vídeo que mostra a danificação, aumentado a gravidade das acusações.

Para Moraes, a violação não parece meramente acidental: ele sugere que pode haver tentar fuga ou uma conduta deliberada para comprometer o monitoramento.

No mesmo despacho, o ministro decidiu tornar público o relatório e o vídeo: segundo Moraes, havia “inúmeras informações errôneas” sendo divulgadas sobre o caso, o que justificou a transparência.

A ordem judicial exige também que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste no prazo concedido, o que amplia o alcance institucional da investigação.

A pressão sobre a defesa de Bolsonaro é máxima: se o prazo expirar sem uma justificativa convincente, o cenário de sua prisão preventiva pode se agravar.

Do lado de sua equipe, a estratégia já está desenhada.

A defesa argumenta que a tornozeleira exerce uma função simbólica de humilhação para Bolsonaro, e nega que a violação tenha caráter de fuga.

Eles afirmam que a presença constante de escolta federal (viatura 24h) torna a narrativa de fuga implausível.

Além disso, seus advogados destacam que Bolsonaro tem problemas de saúde graves, o que justificaria resistência a medidas que comprometam seu conforto físico.

A dimensão política desse episódio é inevitável. Bolsonaro, condenado a pena longa, já está sob forte escrutínio. Uma violação da tornozeleira — admitida por ele — pode ser interpretada por adversários como desrespeito às decisões judiciais e uma tentativa de burlar o sistema.

Mas há um outro risco para ele: caso não apresente uma justificativa plausível, pode reforçar a decisão de prisões mais rígidas e até agravar sua situação nas instâncias superiores.

A confiança do STF em sua versão dos fatos estará em jogo.

A questão é mais ampla do que apenas “justificar uma tornozeleira”: é sobre a credibilidade institucional de um ex-presidente condenado, a força da autoridade judicial e o limite da liberdade mesmo após uma condenação.

E daí? Se a defesa apresentar uma explicação satisfatória, pode ganhar tempo — mas provavelmente sob pressão pública e mediática.

Se falhar, o passo seguinte pode ser a execução imediata de uma ordem mais restritiva.

Este momento pode virar símbolo de uma nova fase na política brasileira: de impunidade para responsabilidade real — ou reforço da narrativa de perseguição.

A resposta da defesa, portanto, será uma peça decisiva no tabuleiro jurídico-político

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