Cristiano Ronaldo afirma que chamaria mais atenção na praia de Copacabana do que David Beckham: “O rosto dele é bonito, mas o resto é normal”

A afirmação de Cristiano Ronaldo sobre ser “perfeito” e, inequivocamente, mais atraente que David Beckham, é mais do que uma demonstração de autoestima em dia; é a materialização do ego inflacionado que define sua marca.

O ceticismo, neste caso, não nega a beleza, mas questiona a motivação por trás da comparação pública.

CR7 não está apenas competindo em campo; ele está competindo no capital da vaidade masculina, onde o corpo é um ativo financeiro tão importante quanto o gol.

A disputa entre ele e Beckham é o choque midiático entre duas eras de sex appeal no futebol.

Beckham representou a transição: o atleta que se tornou um ícone fashion, o rosto bonito, a beleza metropolitana e o cool britânico.

Cristiano Ronaldo é o produto da auto-otimização: o corpo esculpido à exaustão, a disciplina levada ao extremo e a beleza clinicamente ajustada.

A frase de CR7, “O rosto dele é bonito, mas o resto é normal. Eu não sou normal, eu sou perfeito”, é a sentença final do narcisismo de alta performance.

Ele não está apenas se referindo à estética; está reivindicando a superioridade do esforço e da dedicação física absoluta.

Afinal, a musculatura hipertrofiada de CR7 é o testemunho visível de sua obsessão pelo trabalho, que ele projeta como superior ao charme “natural” de Beckham.

A provocação, feita em entrevista ao polêmico jornalista Piers Morgan, é um movimento de marketing previsível.

Morgan sabe que alimentar o ego de CR7 gera manchetes globais. O ego de Cristiano Ronaldo não é um defeito; é parte essencial do mito que o sustenta.

O cenário hipotético da “praia de Copacabana” é o ponto de medição perfeito. Em Copacabana, onde o corpo é a moeda de exposição, CR7 aposta na imponência física.

Ele acredita que o volume de seus músculos e a fama de seu abdômen atrairiam mais olhares que a elegância discreta de Beckham.

A discussão, em última instância, é fútil, mas sociologicamente rica. Ela mostra como os atletas de elite se tornaram commodities estéticas, cujas declarações sobre a própria aparência são tão importantes quanto suas estatísticas de jogo.

Cristiano Ronaldo não se contenta em ser o melhor jogador; ele precisa ser o objeto de desejo superior, o padrão de perfeição que ele mesmo impõe.

E, ao fazê-lo, ele garante que a máquina de autopromoção continue girando, reforçando o mito de que, no esporte e na vida, ele é uma entidade que transcende o normal.

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