A recente declaração da Lore Improta sobre sua segunda gestação com o Léo Santana acendeu uma luz — não sobre o corpo, mas sobre o que as redes sociais têm força para fazer com nossas percepções intimas e coletivas.
Em uma postagem sincera, ela confessou que, diferente da primeira gravidez, agora se sente “muito mais dengosa e apegada” ao marido: “fico cheirando, beijando, abraçando…”
O gesto parece trivial à primeira vista — uma mulher grávida compartilhando sensações. Mas, se observarmos com atenção, revela uma guinada nos contornos da visibilidade pública.
A gravidez, esse momento tradicionalmente privado, ganha palco e luz própria: não apenas para celebrar a chegada de um novo filho, mas para reconstruir a narrativa de um casal diante do olhar alheio.
Em 2025, Lore e Léo anunciaram a gravidez com festa nas redes: a filha mais velha, Liz Improta — então com 4 anos — aparece segurando o ultrassom; o post viraliza; mensagens de carinho inundam os comentários.
Mas o que chama atenção não é apenas a comemoração: é a reaproximação pública, a exaltação do afeto, o uso da intimidade como ferramenta narrativa.
A confissão de que “na outra gravidez enjoei dele” e agora se redescobre mais próxima, mais carinhosa, reconfigura — propositalmente — o retrato do relacionamento.
Esse contraste entre as duas gestações — não só biológico, mas emocional — funciona como um espelho simbólico da maturação pessoal e conjugal. A “segunda vez” não é só um filho a mais: é a chance de reescrever histórias, de mostrar — de novo, aos seguidores e fãs — que existe crescimento, estabilidade, renovação.
Porém, essa narrativa cuidadosamente construída levanta outra pergunta: até que ponto o “expor” interfere no “viver”? A gravidez aparece quase como parte de uma dramaturgia pública, onde os sentimentos são externados, celebrados, divididos em likes e comentários.
O afeto ganha valor de engajamento. A intimidade se torna conteúdo.
Ao fazer isso, Lore — consciente ou não — participa de uma tendência crescente: transformar momentos pessoais em espetáculo midiático.
E, com isso, redefine limites entre o que é real e o que é apresentado. A gestação ganha o status de evento social, com roteiro, audiência e repercussão.
Mas nem por isso o afeto deixa de existir; pelo contrário — existe, e com intensidade. O desabafo sobre os seios inchados, os enjoos, as dores, a nova sensibilidade — tudo isso humaniza a celebridade. Mostra que acima da imagem glamourosa, há corpo, vulnerabilidade, expectativa.
Talvez o mais interessante, no fim das contas, seja como esse caso revela uma tensão: entre o íntimo e o público, entre o natural e o performático, entre o privado e o compartilhado.
A gravidez deixa de ser apenas um fato da biologia para se tornar símbolo — de desejo, de renovação, de pertencimento.
E para quem observa de fora, resta a pergunta: nessa era em que viver é postar, amar é postar, crescer é postar — o que realmente significa “ser” e “mostrar”? Seja lá qual for a resposta, o corpo gestante — com seus anseios e medos — já se transformou em palco. E a plateia está atenta.

