Criança de 11 anos é baleada durante um assalto no rio e pai é preso

Na noite de quinta-feira (30/10/2025), uma mulher de 30 anos e sua filha de 11 foram atingidas por disparos de arma de fogo enquanto estavam dentro de um automóvel no sub-bairro da Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá.

Segundo a polícia, o alvo do ataque teria sido o pai da menina, identificado como Jonathan Martins (ou “Jhonatan” em alguns relatos) de 34 anos, que estava no veículo junto com a família e acabou ferido no tórax.

O veículo, um carro clonado ou roubado conforme apuração, foi alvejado por mais de 20 disparos de fuzil. Testemunhas relataram intenso fogo e marcas de tiros por toda parte.
A mãe foi baleada na perna, a menina foi atingida por estilhaços ou tiros nas pernas e costas, e o pai permanece internado sob custódia policial.


A investigação está sob a alçada da 32ª Delegacia de Polícia (Taquara) e envolve o 18º Batalhão de Polícia Militar (Jacarepaguá).

O local do crime, uma região da Zona Sudoeste marcada por disputas territoriais entre milícias e facções, aponta para um cenário de conflito armado urbano.
O fato de civis — incluindo uma criança — terem sido atingidos dentro de um carro evidencia o grau de exposição das populações residentes nessas áreas ao risco da violência.


A ocorrência coloca em relevo a questão da colateralidade: vidas civis se tornam alvo ou dano colateral em disputas que não são delas, mas que afetam diretamente seu cotidiano.
Além disso, o uso de carro clonado/roubado sugere conexão com redes criminosas de maior porte — o que reforça a complexidade das investigações e da atuação policial/regulatória.

Para a comunidade de Jacarepaguá, o incidente não é isolado, mas repercute como mais um alerta de que nenhum local está fora da geografia da violência — mesmo bairros aparentemente “tranquilos”.


Para o sistema de segurança pública, o caso desafia o desenho de políticas de intervenção: como proteger civis em regiões de conflito territorializado sem intensificar a militarização ou o risco de danos colaterais?


Para a sociedade em geral, surge a pergunta: até que ponto a normalização dos tiros, fuzis, veículos alvejado e crianças atingidas deixam de ser exceção para se tornar triste rotina?

Este ataque em Jacarepaguá revela que a violência territorial não é apenas “problema de favela”, mas atinge famílias, crianças e zonas suburbanas que convivem com o limiar entre visibilidade e invisibilidade.


Se nada for feito para quebrar esse padrão — com controle de armas, atuação das milícias, integração comunitária e segurança com respeito aos direitos — o tiroteio que virou manchete hoje poderá se tornar estatística amanhã.


A pergunta que permanece: quando uma criança deixa de ser vítima de “disparo por engano” e passa a ser considerada parte integrante da proteção pública — e não do dano público?

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