COP30: nova manifestação de indígena fecha portão principal da conferência

Na manhã desta sexta-feira, 14, um protesto organizado por indígenas do povo Munduruku bloqueou o portão principal da COP30, a Cúpula do Clima da ONU, em Belém (PA). A manifestação levou à interrupção temporária da entrada principal da chamada “zona azul”, onde se concentram as discussões oficiais do evento.

Segundo relatos, os participantes do protesto formaram uma barreira humana em frente à entrada principal. A organização por trás do movimento é atribuída ao Movimento Ipereg Ayu, que exige uma reunião urgente com as autoridades nacionais.


A Polícia Militar, bombeiros e agentes da Força Nacional foram posicionados no local para acompanhar a manifestação, com cerca de duas dezenas de viaturas presentes na cena.


Por causa do bloqueio, as autorizações de entrada para os diplomatas, negociadores e credenciados foram redirecionadas para uma entrada lateral.


A manifestação ocorre pouco depois de uma carta enviada pelo secretário para o Clima das Nações Unidas, Simon Stiell, na qual ele solicitava ao governo brasileiro melhorias no esquema de segurança e na estrutura física do evento, que registrou cerca de 56 mil inscritos. 
A ONU, por sua vez, classificou o ato como “pacífico” e afirmou que não havia risco à segurança dos participantes da conferência, orientando que os credenciados utilizassem a entrada lateral para acessar o evento.


Do outro lado da manifestação, os indígenas reivindicam sobretudo maior participação nas decisões climáticas e a interrupção de projetos de infraestrutura que, segundo eles, ameaçam seu território.


Na terça-feira anterior à nova mobilização, um grupo formado por indígenas e por integrantes do Coletivo Juntos, ligado ao PSOL, também tentou acessar a zona restrita da COP30. Eles superaram o sistema de raio-X, mas foram barrados antes de entrar. 
Durante essa investida anterior, duas pessoas da segurança ficaram feridas, e portas do local chegaram a ser danificadas.

Em uma das falas durante os protestos mais recentes, lideranças Munduruku pedem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escute suas demandas, sobretudo no que se refere a proteção de suas terras contra agronegócio, garimpo e desmatamento.


Segundo um comunicado dos indígenas, “nossas vozes são ignoradas” nas negociações climáticas, apesar de o Brasil afirmar que este COP30 daria protagonismo aos povos originários.


Líderes como Gilmar, do povo Tupinambá, também participaram das ações, afirmando: “We can’t eat money” (“não podemos comer dinheiro”), para criticar o modelo econômico que prioriza lucros sobre a vida das populações tradicionais.


Além disso, eles reivindicam a demarcação de seus territórios e o fim dos projetos que envolvem extração de madeira, mineração ilegal, exploração de petróleo e outras formas de invasão em seus modos de vida.


Fontes da ONU informaram que dois seguranças sofreram ferimentos leves durante os confrontos da terça-feira, e que o saldo foi de “dano menor” à infraestrutura da conferência.


Testemunhas relataram que manifestantes armaram barricadas com mesas para resistir à contenção, enquanto uma corrente de pessoas buscava romper os bloqueios de segurança.


Em resposta, as forças de segurança reagiram conforme os protocolos estabelecidos pela ONU, segundo declaração de porta-voz da conferência, que afirmou que a integridade física dos participantes e da estrutura foi preservada.


Por sua vez, autoridades indígenas argumentam que há uma contradição clara entre a retórica do COP, que afirma valorizar as comunidades tradicionais, e as práticas reais de financiamento e investimento adotadas pelo poder público.


No contexto desta mobilização, o Ministério Público Federal (MPF) havia aberto, anteriormente, um procedimento para assegurar a participação e consulta “prévia, livre e informada” de povos originários durante a COP30.


Para os indígenas, a presença deles em Belém durante a conferência ainda é insuficiente para garantir que seus interesses sejam equacionados nas decisões globais de mudança climática.


Há ainda um apelo para que o governo brasileiro convoque uma reunião emergencial com lideranças indígenas, de modo a tratar diretamente os projetos que ameaçam a floresta e a subsistência de suas comunidades.


Enquanto isso, as negociações da COP30 seguem em curso, e o episódio do bloqueio do portão principal reforça a tensão entre discurso institucional e urgência das demandas indígenas por justiça ambiental.

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