Conselheiro de Trump diz que STF e Alexandre de Moraes “pertencem à prisão”

Nas últimas horas, o conselheiro político Jason Miller — próximo aliado do presidente dos Estados Unidos Donald Trump — reavivou uma série de críticas intensas contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes em postagens inflamadas feitas nas redes sociais. O debate suscitou reações em Brasília e Washington, gerando tensão diplomática e acalorados comentários políticos em ambos os lados do Atlântico.

A polêmica teve início quando Miller publicou mensagens direcionadas ao STF, atacando diretamente Moraes. Em um dos posts redigidos em inglês, ele disparou: “@STF_oficial Alexandre de Moraes belongs in PRISON!!!” (“O STF e Alexandre de Moraes pertencem à prisão!!!”). A frase reverberou rapidamente entre apoiadores de Trump e simpatizantes do ex-presidente Jair Bolsonaro, amplificando ainda mais a tensão já existente devido aos processos que tramitam no Brasil envolvendo acusados de atentado às instituições democráticas.

Na sequência, Miller reafirmou sua posição com palavras duras, afirmando em outra publicação: “I’m not going to let up until baldy is behind bars getting everything he deserves!!!” (“Não vou desistir até que o careca esteja atrás das grades e receba tudo o que merece!!!”). A expressão “baldy” — referência velada a Moraes — intensificou as críticas e o tom confrontador que caracteriza a narrativa dos aliados de Trump em relação à Corte brasileira.

Além das ameaças, Miller acusou Moraes de comportamentos “repugnantes” e “repreensíveis”. O conselheiro disse que o ministro teria cometido abusos durante o processo contra ex-assessor Filipe Martins, preso em 2024. Ele também atacou a atuação do STF no julgamento que envolve Jair Bolsonaro, sugerindo que as ações da Corte são motivadas por interesses políticos e não por justiça.

A reação ao discurso de Miller foi imediata no Brasil. Deputados aliados de Bolsonaro replicaram as mensagens em defesa do ex-presidente, classificando Moraes como símbolo de um “Estado judicializado” que, segundo eles, teria usado a justiça como instrumento de perseguição ideológica. Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do ex-mandatário, foi protagonista na difusão desses conteúdos, ecoando as críticas e afirmando que milhões de brasileiros enxergam nas decisões da Corte um viés político evidente.

Por outro lado, vozes dentro do STF consideraram as declarações de Miller como uma tentativa de interferência externa em um tribunal que, por definição constitucional, atua com independência de esfera política ou diplomática. Juristas ouvidos por esta reportagem afirmam que, apesar do direito à liberdade de expressão, public statements of this nature can be seen as “undermining the credibility of institutions” in a democratic state governed by law.

A crítica americana ao governo brasileiro não se restringe às manifestações nas redes sociais. Desde julho, o governo dos EUA impôs sanções econômicas e restrições de visto a Moraes e outros magistrados, usando como base a Global Magnitsky Human Rights Accountability Act, que prevê medidas contra autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos. Washington acusa Moraes de decisões autoritárias, prisões arbitrárias e ações que, segundo o Departamento do Tesouro, ferem liberdades fundamentais.

O ministro Moraes reagiu com firmeza às investidas. Em frases marcantes, chamou as tentativas de desestabilizar o sistema judicial brasileiro de “plotagem covarde e traiçoeira” e reafirmou que “a soberania nacional não será negociada”. Ele disse ainda que tais pressões não o farão recuar e que continuará conduzindo os processos com imparcialidade e dentro dos parâmetros legais.

A escalada diplomática também envolveu medidas tomadas por Trump. O presidente americano vinculou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros à condenação de Bolsonaro, usando a disputa judicial como justificativa para uma política comercial punitiva. Analistas veem a combinação de sanções, ameaças e retórica beligerante como parte de uma estratégia para enfraquecer o governo brasileiro e proteger um aliado político.

A resposta do governo brasileiro veio por meio do Itamaraty e do Palácio do Planalto. O Executivo condenou a interferência externa, afirmando que “nenhuma pressão internacional intimidará a democracia brasileira” e que “as decisões judiciais são soberanas e seguem o devido processo legal”. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou as medidas norte-americanas como arbitrárias e declarou que o país adotará “retaliações proporcionais” se os ataques continuarem.

Para especialistas em relações internacionais, o episódio marca um momento delicado nas relações Brasil–Estados Unidos. O fortalecimento de laços entre aliados políticos dos dois países — particularmente Miller e Eduardo Bolsonaro — tende a endurecer a diplomacia e dificultar consensos em áreas estratégicas como comércio, segurança e política externa.

Miller, que já havia sido detido brevemente em Brasília em 2021 por investigação ligada ao Supremo Tribunal Federal, é uma figura controversa no cenário global. Ele é considerado uma das vozes mais agressivas do movimento conservador internacional e um dos principais articuladores da estratégia midiática pró-Trump. Sua recusa em moderar o discurso reforça o clima já polarizado entre Brasília e Washington.

Enquanto o debate se intensifica nos bastidores, o julgamento de Jair Bolsonaro continua em curso. Ele enfrenta acusações de tentativa de golpe, organização criminosa e ameaça à ordem democrática. Se condenado, poderá cumprir sentença superior a quatro décadas de prisão. O papel de Moraes nesse processo segue sendo determinante, e sua condução é vista como litmus test para a maturidade institucional brasileira.

Em paralelo, o episódio reacendeu no Brasil o debate sobre liberdade de expressão nas redes sociais. Moraes, reconhecido por sua atuação contra a desinformação, liderou episódios significativos como o bloqueio temporário da plataforma X no país, por descumprir decisões judiciais relacionadas à disseminação de discursos de ódio e fake news. Essa postura, ainda que contestada, foi apresentada como necessária para proteger o processo eleitoral e a segurança pública.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Ramon Dino, fisiculturista natural de Rio Branco, Acre,faz história e conquista o título do Mr. Olympia 2025

URGENTE! EUA alertam para risco de at*ques terr*ristas nos próximos dias