Comandantes de Trump são acusados de dizer às tropas dos EUA para se prepararem para o Armagedon

Acusações recentes envolvendo militares dos Estados Unidos trouxeram à tona um debate delicado sobre religião, política e disciplina dentro das Forças Armadas. Relatos apresentados por soldados indicam que alguns comandantes teriam feito declarações de cunho religioso ao abordar o atual conflito envolvendo o Irã.

As denúncias vieram à público após queixas encaminhadas à Military Religious Freedom Foundation (MRFF), uma organização norte-americana que atua na defesa da liberdade religiosa dentro das forças militares. Segundo a entidade, dezenas de militares procuraram a instituição relatando discursos considerados inapropriados durante reuniões e briefings operacionais.

De acordo com as informações recebidas pela organização, os relatos partiram de integrantes de diferentes ramos das Forças Armadas dos Estados Unidos, incluindo Exército, Marinha, Força Aérea e Corpo de Fuzileiros Navais.

As reclamações teriam surgido após reuniões internas realizadas em unidades militares durante atualizações sobre a situação militar no Oriente Médio, especialmente após o agravamento das tensões envolvendo o Irã.

Em uma das denúncias, um suboficial afirmou que um comandante teria associado as operações militares à ideia de um plano divino relacionado ao fim dos tempos descrito na Bíblia.

Segundo o militar que registrou a reclamação, o oficial declarou que a atual guerra faria parte de uma profecia religiosa envolvendo o chamado Armagedon.

O mesmo relato aponta que o comandante teria feito referências diretas ao Livro do Apocalipse, último livro do Novo Testamento, frequentemente citado em interpretações religiosas sobre o fim do mundo.

Ainda segundo o documento enviado à organização, o oficial teria dito aos presentes que o conflito seria parte de um propósito espiritual maior.

Em um dos trechos mencionados na denúncia, o comandante afirmou que “President Trump has been anointed by Jesus to light the signal fire in Iran to cause Armageddon and mark his return to Earth”.

O militar que apresentou a queixa relatou que a fala ocorreu durante uma reunião de preparação operacional com oficiais e sargentos responsáveis por unidades que poderiam ser mobilizadas para o conflito.

Segundo o denunciante, o comandante também teria incentivado os presentes a transmitir a mesma mensagem às tropas sob sua responsabilidade.

De acordo com o relato enviado à organização, o oficial orientou os líderes militares a dizerem aos soldados que o atual conflito seria “all part of God’s divine plan”.

As denúncias chamaram atenção porque a legislação militar norte-americana estabelece regras claras sobre a separação entre convicções religiosas pessoais e o exercício de autoridade dentro da hierarquia militar.

Especialistas em direito militar apontam que comandantes não podem utilizar sua posição para impor crenças religiosas aos subordinados, especialmente em ambientes operacionais.

A MRFF informou que recebeu mais de duzentas reclamações semelhantes provenientes de diferentes bases e unidades militares espalhadas pelos Estados Unidos.

Os relatos teriam sido enviados por militares de diversas crenças religiosas, incluindo cristãos, judeus, muçulmanos e também soldados sem religião declarada.

De acordo com a organização, muitos dos denunciantes temem possíveis represálias profissionais, motivo pelo qual suas identidades permanecem em sigilo.

O presidente da entidade, Mikey Weinstein, afirmou que a situação levanta preocupações sobre a influência de discursos religiosos em decisões militares e no ambiente de comando.

Especialistas em relações civis-militares ressaltam que a neutralidade religiosa é considerada um princípio importante dentro das Forças Armadas dos Estados Unidos.

Até o momento, o Departamento de Defesa norte-americano não divulgou uma posição oficial detalhada sobre as denúncias apresentadas à organização.

Analistas observam que o episódio ocorre em meio a um momento de grande tensão geopolítica envolvendo o Oriente Médio, o que tem aumentado a sensibilidade em torno de discursos políticos e religiosos dentro das instituições militares.

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