Mesmo com o ex-presidente Jair Bolsonaro preso, apoiadores do Partido Liberal se reuniram neste domingo (1º/3), em Brasília, para participar do ato denominado “Acorda Brasil”. A mobilização ocorreu na área externa do Museu da República e integrou uma série de manifestações organizadas simultaneamente em diferentes cidades do país.
O evento reuniu simpatizantes da direita que defenderam pautas relacionadas ao cenário político e jurídico nacional. Entre bandeiras e discursos, os participantes destacaram críticas ao Supremo Tribunal Federal e pedidos ligados à situação judicial do ex-chefe do Executivo.
Um dos pontos que mais chamou a atenção do público foi a presença de um sósia de Jair Bolsonaro, conhecido como Mito do Uber. Vestido de maneira semelhante ao ex-presidente, ele circulou entre os manifestantes, tirou fotos e conversou com apoiadores.
Em entrevista concedida no local, o homem relatou que chegou por volta das 7h para montar sua tenda e organizar sua participação na manifestação. Segundo ele, a motivação central de sua presença é “lutar contra a corrupção, que está demais”.
Ao comentar investigações conduzidas pela Polícia Federal, afirmou: “Cada vez que a PF vai investigando e descobrindo mais coisa. Aí vem Gilmar Mendes e trava o processo para que não investigue e torna sigiloso. Então enquanto não houver uma situação aberta para mostrar à população o que está acontecendo, a corrupção vai reinar”.
A declaração incluiu referência ao chamado caso Master, mencionado por ele como exemplo de suposta interferência institucional. O sósia também citou nominalmente o ministro Gilmar Mendes ao abordar o tema.
Durante a conversa, o manifestante acrescentou que considera necessária a “mudança das cadeiras” no Senado e nas Câmaras dos Deputados e Distrital. Para ele, a renovação política seria uma alternativa para enfrentar problemas estruturais.
“Hoje nós temos uma corrupção entranhada no governo tanto federal como estadual. Nosso país é rico, muito rico, e ele ainda não sangrou ainda nem morreu devido à sua riqueza”, afirmou, ao defender transformações no sistema político.
A mobilização foi convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira e pelo pastor Silas Malafaia. Ambos utilizaram redes sociais e canais de comunicação com apoiadores para incentivar a participação nos atos.
Além de Brasília, manifestações ocorreram em outras capitais e cidades de médio porte, reunindo grupos alinhados ao campo conservador. Em comum, os protestos tiveram como foco críticas ao Judiciário e pedidos de revisão de decisões recentes.
Entre as principais reivindicações está a defesa da concessão de prisão domiciliar para Jair Bolsonaro. Manifestantes argumentam que a medida seria adequada diante das circunstâncias apresentadas por seus apoiadores.
Outro ponto recorrente nos discursos foi o envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal no caso Master, com menções específicas a Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
Os organizadores do ato classificaram a mobilização como pacífica e voltada à defesa de pautas institucionais. Não houve registro de confrontos até o encerramento da manifestação na capital federal.
Especialistas em ciência política observam que a presença de figuras simbólicas, como o sósia do ex-presidente, costuma reforçar o engajamento em eventos dessa natureza, criando identificação entre participantes e lideranças políticas.
O uso de personagens públicos ou representações visuais é estratégia recorrente em atos de rua, especialmente quando o líder central não pode comparecer presencialmente.
O ato “Acorda Brasil” ocorre em um momento de forte polarização política no país, com decisões judiciais envolvendo autoridades de alto escalão repercutindo amplamente nas redes sociais.
Para apoiadores, a manifestação representa uma forma de pressionar instituições e manter visibilidade às demandas do grupo. Para críticos, trata-se de mais um capítulo do embate entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
Até o momento, autoridades não divulgaram estimativa oficial de público presente no Museu da República. A movimentação foi acompanhada por equipes de segurança e monitorada pelas forças locais.
Com Bolsonaro fora do ato por estar preso, a mobilização evidenciou a tentativa de manter ativa a base de apoio do ex-presidente, mesmo em sua ausência física, reforçando a dimensão simbólica que ainda exerce sobre parte do eleitorado.

