O anúncio do governador Cláudio Castro sobre a mudança de foco das megaoperações para a remoção de barricadas no Rio de Janeiro representa uma alteração tática na guerra contra o crime organizado. A estratégia é mudar o campo de batalha do confronto direto para a guerra de infraestrutura.
A Barricada como Símbolo de Soberania Paralela
As barricadas — instaladas tanto pelo Comando Vermelho (CV) quanto pelas milícias — são mais do que meros obstáculos físicos. Elas são a materialização da soberania paralela do crime.
Controle Territorial: As barreiras servem para controlar o acesso, monitorar a entrada de estranhos e, crucialmente, impedir a rápida incursão policial.
Imposição de Poder: Elas comunicam à população local que o poder real reside na facção ou na milícia, e não no Estado.
Ao priorizar a remoção, o governo tenta restaurar a autoridade do Estado sobre as vias públicas e o direito constitucional de ir e vir dos moradores, que são os principais reféns dessa tática.
A Mudança de Tática e os Desafios
Após grandes operações como as realizadas nos complexos do Alemão e da Penha, que geram alto custo e grande controvérsia, a remoção de barricadas oferece uma vitória simbólica mais imediata e com menor risco de confronto direto de alta intensidade.
A operação é tática e logística: ela envolve equipes especializadas e maquinário pesado, como retroescavadeiras e caminhões, como o visto no início das ações na Zona Sudoeste.
Contudo, a história do Rio de Janeiro demonstra que essa estratégia tem um risco de repetição. As barricadas são rapidamente reconstruídas assim que as equipes policiais deixam a área. O sucesso da ação dependerá não da remoção em si, mas da manutenção e ocupação do território desobstruído.
O Dilema das Milícias e do Tráfico
A decisão de focar tanto no tráfico () quanto nas milícias é politicamente crucial. O governo sinaliza que não há distinção no enfrentamento ao crime organizado, atacando ambas as estruturas que oprimem as comunidades.
A remoção das barreiras é um passo fundamental para minar a economia do crime, pois dificulta o escoamento de drogas, armas e, no caso das milícias, a cobrança de taxas ilegais por serviços.
O desafio real do governo não é mover concreto e pneus, mas substituir o poder das facções por serviços públicos efetivos e, principalmente, garantir a presença policial constante e comunitária. Caso contrário, a guerra das barricadas será um ciclo interminável de destruição e reconstrução.

