Cláudio Castro conquista meio milhão de seguidores nas redes após megaoperação

A notícia de que o Governador Cláudio Castro ganhou mais de 800 mil novos seguidores nas redes sociais após a megaoperação policial no Rio de Janeiro não é uma estatística de popularidade; é a evidência fria da monetização política da crise.

Em um ambiente digital sedento por respostas fortes e imediatas, o governador descobriu a fórmula algorítmica para transformar a tragédia da segurança em capital eleitoral.

Os 800 mil novos seguidores são o prêmio pelo “teatro da ação”: a encenação da força e da determinação em um momento de pânico público.

A estratégia é clara: enquanto o Rio arde em tiroteios, o governador se posiciona como o único capaz de oferecer o espetáculo da reação, angariando a audiência que busca a retórica da lei e da ordem.

A sociedade, quando submetida ao medo extremo, não busca a nuance ou o planejamento de longo prazo; busca o herói de um dia, e o algoritmo premia essa busca.

A narrativa de “tolerância zero” e “combate duro” ressoa profundamente com um eleitorado exausto da violência, e os likes e novos seguidores são o pagamento social por essa postura.

O aumento de seguidores não reflete a melhoria da segurança, mas sim a aprovação da performance. O governador vende a sensação de que o Estado está, finalmente, reagindo.

O governador se beneficia do paradoxo da crise: o caos gera atenção, e a atenção, quando capitalizada com uma mensagem de força, se converte em poder político e digital.

Essa dinâmica expõe a superficialidade do debate público nas redes. A solução para um problema complexo como a segurança é reduzida a um jogo de soma de seguidores.

O apoio de outros governadores, como Ronaldo Caiado, amplifica essa imagem de um líder articulado e ideologicamente alinhado, garantindo o endosso de uma base nacional.

A crise da segurança, transformada em conteúdo, é consumida em massa. Cada vida perdida e cada fuzil apreendido se tornam posts que alimentam a máquina de crescimento digital do governador.

A grande questão é o que acontece quando a crise se acalma. O desafio de Castro não é manter os 800 mil seguidores, mas convencê-los de que a solução estrutural pode ser tão cativante quanto o momento da reação.

O aumento de seguidores é uma métrica fugaz. A segurança real exige uma queda sustentável dos índices de violência, algo que não pode ser medido por likes.

A tragédia é que a política de segurança virou marketing. O sucesso é medido pela resposta da audiência, e não pela pacificação efetiva das comunidades.

O Rio de Janeiro, com sua violência espetacular, oferece o cenário perfeito para que figuras políticas transformem a dor em capital digital de alto valor.

O maior ceticismo que devemos ter não é sobre a atuação policial, mas sobre a ética de lucrar politicamente com o ápice do sofrimento social.

O governador Castro, hoje, detém uma das moedas mais valiosas da política moderna: uma audiência massiva obtida à custa da crise.

A longo prazo, porém, a história não será escrita pelos seguidores, mas pela capacidade de transformar essa atenção em paz duradoura, e não apenas em manchetes.

O desafio é que a realidade do Rio exige um plano que vai muito além do que pode ser postado em um story de 15 segundos.

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