Cientistas revela se um homem deve ejacular 21 vezes por mês para ajudar a prevenir câncer de próstata

Cientistas investigam há anos se existe, de fato, um “número mágico” de ejaculações que possa exercer efeito protetor contra o câncer de próstata. Uma das hipóteses mais divulgadas afirma que ejacular 21 vezes por mês poderia reduzir o risco da doença. No entanto, pesquisadores alertam para os limites desse dado e enfatizam que a relação entre ejaculação e prevenção ainda não está estabelecida com convicção científica.

O estudo mais referenciado sobre o tema é o conduzido por pesquisadores da Universidade de Harvard, com base no Health Professionals Follow-up Study. Nesse trabalho, 31.925 homens foram acompanhados entre 1992 e 2010, com o objetivo de comparar diferentes padrões de frequência ejaculatória ao longo de décadas.

Conforme os dados obtidos, os homens que relataram ejacular 21 ou mais vezes por mês tiveram, em média, risco cerca de 31% menor de serem diagnosticados com câncer de próstata, comparado a aqueles que registraram entre quatro e sete ejaculações mensais.

Os pesquisadores anotaram ainda que essa tendência foi verificada em três fases distintas da vida dos participantes: nos períodos entre 20–29 anos, 40–49 anos e no ano anterior ao estudo. A consistência estatística permitiu controlar fatores como hábitos de saúde, exames de rastreamento e variáveis sociodemográficas.

Ainda assim, os autores e especialistas consultados ressaltam que associação não implica causalidade. Janet Stanford, pesquisadora do Fred Hutchinson Cancer Research Center, sublinha que, apesar da qualidade dos dados, essa relação observada permanece como hipótese a ser confirmada. 

O estudo de Harvard, publicado no periódico European Urology, foi ampliado por análises adicionais. Por exemplo, observou-se que mesmo homens que relataram 8 a 12 ejaculações mensais no período dos 40 aos 49 anos apresentavam uma redução de risco de aproximadamente 10%. Já aqueles com 13 a 20 ejaculações mensais registraram cerca de 20% de redução.

Uma das teorias que embasam essa possível proteção sugerida gira em torno da chamada “hipótese da estagnação prostática” (ou “hipótese da limpeza”). Segundo ela, ejacular frequentemente ajudaria a eliminar secreções acumuladas, toxinas e possíveis agentes irritativos da próstata, reduzindo o ambiente propício para mutações celulares.

Outra linha explicativa envolve a modulação do sistema imunológico local e a diminuição de processos inflamatórios na glândula prostática — já reconhecidos como fatores de risco para tumores. A ejaculação poderia influenciar respostas imunológicas ou reduzir estímulos crônicos à proliferação celular.

Mesmo com esses indícios, inúmeros especialistas classificam os resultados como sugestivos, mas longe de conclusivos. O urologista e oncologista Bruno Benigno afirma que “não podemos associar que a frequência da ejaculação é a causa para reduzir o número de incidências de câncer de próstata, mas há uma associação”.

Além disso, os autores lembram a limitação inerente ao uso de questionários autorreferidos para estimar a frequência ejaculatória, bem como o risco de viés de memória, subnotificação ou superestimação por parte dos participantes.

Outro ponto de atenção é que a redução de risco parece mais clara para casos de câncer de próstata de baixo grau ou menos agressivos. Não há evidência convincente de proteção contra formas mais avançadas da doença ou desfechos fatais.

Pesquisas em populações de outros países, como Austrália, também apontaram correlações semelhantes: homens com frequência sexual elevada apresentaram risco até 36% menor de serem diagnosticados com câncer de próstata antes dos 70 anos, comparado a homens com menor atividade ejaculatória média.

Contudo, essas investigações variam bastante entre si quanto ao desenho metodológico — populações estudadas, faixa etária, inclusão de masturbação ou relações sexuais no cálculo da frequência, entre outros — o que torna os resultados pouco uniformes.

Especialistas enfatizam que a ejaculação, por si só, não pode ser tratada como “vacina” contra o câncer de próstata. Fatores de estilo de vida — como alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, controle de peso, não fumar — continuam sendo pilares amplamente reconhecidos na prevenção de doenças, inclusive a próstata.

Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), homens sem histórico familiar da doença devem iniciar avaliação da próstata por volta dos 50 anos. No entanto, se houver parente de primeiro grau com câncer de próstata, recomenda-se começar aos 45 anos.

Ainda não existe diretriz médica oficial que recomende uma frequência ideal de ejaculações como medida preventiva formal. O que se mantém como consenso é: exames regulares, rastreamento e vigilância são essenciais.

Entre médicos, há cautela para não transformar este dado em “meta sexual”. O oncologista Denis Jardim afirma que alguns achados sugerem efeito mais protetor em homens mais jovens (20 a 40 anos) e que não se sabe em que fase da vida essa ação protetora seria mais significativa.

Em resumo, a literature científica atual indica uma correlação estatística entre alta frequência ejaculatória — como 21 vezes ao mês — e menor incidência de câncer de próstata leve. Mas essa relação permanece como hipótese, não comprovação.

Portanto, afirmar com certeza que ejacular 21 vezes por mês previne o câncer de próstata seria um exagero. O mais prudente é enxergá-la como uma possível peça em um conjunto muito mais amplo de fatores de risco e de proteção.

Homens interessados no tema devem priorizar o acompanhamento médico urológico, exames de PSA, toque retal e hábitos de saúde bem estabelecidos. Caso haja dúvidas sobre risco individual ou histórico familiar, o melhor caminho é consultar especialista para avaliação personalizada.

A ciência segue investigando. Novos estudos longitudinais, em diferentes populações e com metodologia rigorosa poderão lançar mais luz sobre essa hipótese. Até lá, a ejaculação frequente pode ser vista como um comportamento potencialmente benéfico, mas jamais como garantia de proteção absoluta.

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