Cientistas afirmam que pessoas ruivas sentem dor de uma forma diferente, e supostamente, fazem mais sexo

Por séculos, o cabelo ruivo foi cercado de mitos — de bruxaria à sorte, do temperamento forte à sensualidade misteriosa. Agora, a ciência começa a separar lenda de biologia e revela algo ainda mais fascinante: pessoas ruivas literalmente sentem o mundo de outro modo.

Pesquisadores da Universidade de Oxford e da McGill, no Canadá, confirmaram o que antes parecia folclore. O gene MC1R, responsável pela pigmentação avermelhada e pela pele clara, também influencia a forma como o corpo humano reage à dor.

Em testes clínicos, os ruivos suportaram até 25% mais estímulos dolorosos que indivíduos de outras cores de cabelo. É como se a biologia tivesse calibrado de modo diferente o alarme interno da dor — não para anulá-lo, mas para interpretá-lo com outro tom.

A professora Irene Tracey, neurocientista de Oxford, explica que o MC1R interfere na produção de endorfina e melanocortina, substâncias que regulam tanto o limiar da dor quanto as respostas ao prazer. Em outras palavras: a sensibilidade física dos ruivos não é apenas estética, é neurológica.

O estudo da Universidade de Oslo reforçou a descoberta: mulheres ruivas relataram sentir menos incômodo durante aplicações de injeções. A hipótese é que o mesmo mecanismo genético que altera a percepção de dor também modula a resposta a estímulos táteis.

Mas foi a pesquisa da Universidade de Hamburgo, na Alemanha, que adicionou um ingrediente inesperado à discussão: segundo os cientistas, mulheres ruivas têm mais orgasmos e uma vida sexual mais ativa.

O achado, longe de um clichê erótico, tem base fisiológica. A regulação hormonal associada ao MC1R pode elevar os níveis de dopamina e oxitocina — os neurotransmissores do prazer e do vínculo emocional.

Curiosamente, a “diferença ruiva” é uma herança rara. Apenas 1% da população mundial tem o gene em dose suficiente para manifestar cabelos naturalmente vermelhos. A combinação de pele clara, sensibilidade térmica e resistência à dor cria um pequeno grupo biológico singular.

O fascínio cultural em torno dos ruivos talvez seja, em parte, um reflexo inconsciente dessa diferença. O corpo fala uma linguagem própria — e o olhar social responde com mitos, admiração ou preconceito.

A ciência, por sua vez, começa a reescrever essa narrativa. O que antes era superstição agora é código genético. E o que parecia apenas charme visual revela-se uma variação complexa do sistema nervoso humano.

Há, porém, uma lição mais ampla nisso tudo: a diversidade não é apenas visível — é sensorial. Sentimos, sofremos e amamos de formas diferentes, moldadas por estruturas microscópicas que determinam como o cérebro lê o mundo.

No fim, o estudo sobre ruivos é menos sobre cabelos e mais sobre humanidade. Mostra que a biologia é capaz de produzir infinitas formas de sentir — e que até nas variações mais raras, há um lembrete poderoso: ser diferente é, também, uma forma de ser extraordinariamente humano.

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