A cidade de Recife, capital de Pernambuco, foi palco de uma ocorrência que vem sendo divulgada por veículos de comunicação nos últimos dias e tem repercutido por sua conotação de abandono animal e resgate humano. A história envolve um papagaio identificado simplesmente como Chico, 40 anos, que teria sido deixado em uma caixa junto a lixo na via pública após a morte de sua tutora.
O caso teria ocorrido no bairro de Casa Amarela, área residencial da capital pernambucana, onde o animal conviveu durante quatro décadas com a costureira conhecida como Dona Lurdes. Segundo relatos, o papagaio não era apenas um animal de estimação, mas uma presença constante ao lado da moradora, que morreu aos 82 anos recentemente.
De acordo com moradores ouvidos por repórteres, a convivência entre a idosa e o papagaio incluía interação rotineira: o animal emitia sons que lembravam o hino do Santa Cruz e assobiava frevos, manifestações culturais ligadas à identidade local. Essa convivência seria parte da rotina doméstica no imóvel onde viviam.
Após o falecimento de Dona Lurdes, parentes — identificados como distantes — teriam acessado a residência com a justificativa de avaliar o imóvel, motivados pelo valor do terreno. Em seguida, teriam tomado a decisão de descartar o papagaio por considerá-lo “um estorvo”.
Ainda conforme a cobertura dos veículos, os familiares envolveram o animal em uma caixa de papelão, lacraram-na com fita e deixaram o pacote junto ao lixo na calçada, sob o sol da capital pernambucana. A explicação atribuída a eles teria sido a expectativa de que “a natureza cuidaria dele”.
Relatos de quem passou pelo local afirmam que, dentro da caixa e exposto ao calor, o animal permaneceu horas sem água ou alimento, em um ambiente escuro e sufocante. Testemunhas dizem que, em momento de estresse, o papagaio teria repetido uma frase ouvida em momentos de medo: “Mainha tá aqui…” — expressão que fazia referência à falecida tutora.
O desenlace da história aconteceu quando um caminhão de coleta de lixo parou naquele ponto da rua para iniciar a rotina de retirada de resíduos. Um dos garis, identificado como Severino, 52 anos, teria ouvido um som estranho antes de acionar a prensa do veículo.
Atento a esse som, que parecia diferente dos ruídos habituais de sacos plásticos e restos domésticos, o trabalhador abriu a caixa e encontrou o papagaio debilitado, desidratado e em evidente sofrimento. A ação evitou que o animal fosse prensado junto ao restante do lixo.
Sem seguir qualquer protocolo formal de atendimento, Severino decidiu resgatar o papagaio e levá-lo para sua própria residência na Imbiribeira, bairro da zona sul de Recife. Lá, com a ajuda da esposa, passou a cuidar do animal.
A rotina de cuidados incluiu a administração de líquidos com conta-gotas e alimentação gradual com frutas e sementes, métodos comumente usados por tratadores domésticos para papagaios em recuperação.
Segundo os relatos de pessoas próximas à família que o acolheu, a recuperação do animal foi lenta durante as primeiras semanas, período em que Chico permaneceu imóvel e retraído, sem reagir de forma ativa ao novo ambiente.
Especialistas em aves consultados por este veículo afirmam que papagaios podem entrar em estado de letargia quando submetidos a estresse intenso, perda de vínculos duradouros e mudanças abruptas de rotina, fatores que podem afetar tanto o apetite quanto a sociabilidade.
Em torno de duas semanas após o resgate, o animal começou a reagir à presença humana. Um episódio marcante teria ocorrido quando Severino assobiou uma melodia que ele ouvira em uma rádio, desencadeando uma resposta vocal do papagaio.
Esse momento foi considerado por quem acompanha a recuperação como um marco na recuperação do papagaio, que passou a interagir de forma mais ativa com sua nova família humana de acolhimento.
Conforme as informações divulgadas, Chico agora teria cerca de 41 anos, ultrapassando a expectativa de vida média de muitos papagaios domésticos, que podem viver várias décadas com cuidados adequados.
A história ganhou repercussão nas redes sociais e entre moradores de Recife, que comentaram sobre as implicações éticas do abandono de animais e a importância de responsabilidade na tutela de seres que dependem de humanos para sobreviver.
Organizações defensoras de animais ouvidas por este veículo ressaltam que a legislação ambiental brasileira inclui normas sobre maus-tratos e abandono de animais domésticos, e que os responsáveis podem responder civil e criminalmente por tais atos.
Representantes de grupos de proteção animal também apontam que casos dessa natureza, apesar de isolados, refletem uma lacuna de conscientização na sociedade em relação à guarda responsável e ao bem-estar animal.
O caso de Chico — resgatado e recuperado por um trabalhador de limpeza urbana — tem sido interpretado por leitores e especialistas como um exemplo de compaixão individual frente a uma situação de negligência.
Até o fechamento desta edição, não havia registro público de procedimentos oficiais abertos pela prefeitura ou pelas autoridades municipais de Recife em decorrência do caso, conforme levantamento preliminar junto a canais institucionais.

