Casos de MPOX sobem no Brasil e chega a 88 casos registrados

O Ministério da Saúde emitiu um alerta epidemiológico nesta quarta-feira (25) após confirmar que o Brasil atingiu a marca de 88 casos de Mpox em 2026. O salto nos registros, concentrado principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, acende um sinal amarelo nas autoridades sanitárias, que buscam conter a disseminação do vírus antes que a curva de contágio atinja patamares críticos. Embora o número absoluto ainda seja considerado controlado em comparação com o surto global de 2022, a velocidade do aumento nas últimas semanas indica uma circulação ativa e sustentada do vírus em território nacional.

A Mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, é uma zoonose viral cujos sintomas se assemelham aos da varíola humana, porém com menor letalidade. O quadro clínico geralmente começa com febre súbita, dores musculares e exaustão, evoluindo rapidamente para o aparecimento de lesões cutâneas que podem ser dolorosas. O grande desafio para o controle atual reside no fato de que o vírus pode ser transmitido desde o início dos sintomas gerais até que todas as feridas tenham cicatrizado completamente e uma nova camada de pele tenha se formado.

A transmissão ocorre prioritariamente pelo contato direto e prolongado com as lesões de pele ou fluidos corporais de uma pessoa infectada. No cenário atual, o Ministério da Saúde destaca que o contato íntimo, incluindo o sexual, permanece como a principal via de propagação. Entretanto, a ciência alerta que o compartilhamento de objetos pessoais, como toalhas, lençóis e talheres contaminados, também representa um risco real de infecção indireta, o que exige cuidados redobrados dentro do ambiente doméstico quando há um caso suspeito.

O perfil dos pacientes identificados até agora no Brasil mostra uma predominância de homens adultos, mas a detecção de casos isolados em mulheres e crianças preocupa os infectologistas pela possibilidade de espalhamento para grupos mais vulneráveis. O isolamento imediato de indivíduos que apresentem erupções cutâneas inexplicáveis é a estratégia número um recomendada pelas secretarias de saúde estaduais. O diagnóstico é realizado por meio de testes moleculares (PCR), que analisam o material coletado diretamente das secreções das feridas.

O “e daí?” desta atualização epidemiológica reside na necessidade de vigilância genômica. Laboratórios de referência, como o Instituto Adolfo Lutz e a Fiocruz, estão sequenciando as amostras para identificar se os casos brasileiros pertencem ao Clado II, que circulou globalmente nos últimos anos, ou se há presença do Clado I, uma variante considerada mais virulenta e que tem causado surtos graves no continente africano. A identificação da linhagem é crucial para determinar a gravidade da resposta de saúde pública necessária.

A vacinação no Brasil ainda é estratégica e não destinada à população em geral. O estoque disponível é direcionado para profissionais de laboratório que manipulam o vírus e para pessoas que tiveram contato direto e desprotegido com casos confirmados (profilaxia pós-exposição). Especialistas defendem que, caso o número de casos continue a subir exponencialmente, o governo precisará reavaliar a aquisição de novos lotes de imunizantes para proteger grupos de maior risco e interromper as cadeias de transmissão em grandes metrópoles.

O impacto no sistema de saúde, por enquanto, é monitorado nas unidades de pronto atendimento. A maioria dos 88 pacientes apresenta quadros leves a moderados, sem necessidade de internação em UTI. Contudo, a dor associada às lesões e o risco de infecções bacterianas secundárias nas feridas exigem acompanhamento médico constante. A orientação é que qualquer pessoa com suspeita evite a automedicação, que pode mascarar sintomas ou agravar o estado das lesões cutâneas.

O estigma social continua sendo um dos maiores inimigos do combate à Mpox. Autoridades reforçam que o vírus não escolhe orientação sexual ou gênero, e que o preconceito impede que pessoas busquem ajuda médica precocemente, favorecendo a circulação invisível da doença. Campanhas de conscientização estão sendo preparadas para informar a população sobre os riscos reais sem criar pânico ou marginalizar comunidades específicas, focando na prevenção biológica e no cuidado mútuo.

A infraestrutura laboratorial do Brasil hoje é muito superior à de 2022, o que permite uma resposta mais ágil. O processamento dos exames, que antes levava semanas, agora é feito em poucos dias, permitindo o rastreamento de contatos de forma mais eficiente. A rede de vigilância epidemiológica está treinada para realizar o bloqueio de focos, orientando familiares e parceiros de infectados sobre os procedimentos de quarentena doméstica e higiene rigorosa.

A situação global também é um fator de pressão. Com o aumento de casos em países vizinhos da América Latina, o controle de fronteiras e aeroportos volta a ser discutido de forma consultiva. A Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém a Mpox como uma preocupação de saúde pública, e o Brasil, como um dos países que mais reportou casos no passado, possui a responsabilidade técnica de liderar a resposta regional através do intercâmbio de dados e protocolos de tratamento.

Para a população, a recomendação é de cautela e informação. O uso de máscaras em ambientes de saúde, a higienização frequente das mãos e a observação atenta de qualquer alteração na pele são medidas simples que podem evitar a infecção. Se houver febre acompanhada de gânglios inchados (ínguas) e manchas no corpo, a orientação é procurar a unidade de saúde mais próxima e informar imediatamente sobre a suspeita, mantendo-se afastado de outras pessoas até o resultado do exame.

A jornada do Brasil contra a Mpox em 2026 está apenas começando e o desfecho dependerá da agilidade das autoridades e da colaboração da sociedade. O número 88 é um alerta para que a memória coletiva sobre a prevenção não se apague. Enquanto a ciência busca tratamentos mais eficazes e o acesso universal a vacinas, a barreira do conhecimento e da higiene continua sendo a proteção mais eficaz para manter a vida e a saúde da população protegidas contra mais este desafio viral.

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