O depoimento de um ex-funcionário do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, adiciona novos e sensíveis elementos às investigações da Operação Sem Desconto, que apura o esquema apelidado de Farra do INSS. Pela primeira vez, a testemunha falou à imprensa, trazendo relatos que envolvem diretamente o nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Segundo o ex-funcionário, Antonio costumava ostentar uma suposta proximidade com o filho do presidente da República ao negociar com fornecedores e parceiros comerciais. De acordo com o relato, o lobista mencionava Lulinha de forma recorrente em reuniões internas e encontros estratégicos.
Em seu depoimento, a testemunha afirmou que Antonio se referia a Lulinha como “o filho”, reforçando a identidade com gestos e menções explícitas ao nome completo, Fábio Lula da Silva. Essas falas teriam ocorrido diante de membros da diretoria e parceiros de negócios, em um tom de intimidade e influência.
O ex-funcionário, hoje considerado peça-chave pela Polícia Federal, detalhou que essas referências não eram pontuais, mas parte de uma narrativa frequente usada por Antonio para reforçar credibilidade e poder nos bastidores empresariais.
Além da suposta relação pessoal, o depoimento menciona valores expressivos. Segundo a testemunha, Antonio teria afirmado pagar uma “mesada” de 300 mil a Lulinha, além de ter antecipado um montante de 25 milhões, sem especificar a moeda.
Esses valores estariam ligados, segundo o relato, a projetos intitulados “Projeto Amazônia” e “Projeto Teste de Dengue”. Ainda de acordo com o ex-funcionário, Antonio dizia encontrar Lulinha ocasionalmente em São Paulo e no Distrito Federal.
A testemunha confirmou que essas informações já haviam sido repassadas à Polícia Federal em depoimento formal. O conteúdo agora ganha repercussão pública ao ser divulgado pela imprensa, ampliando o alcance e o impacto político do caso.
Por questões de segurança, o nome do ex-funcionário foi preservado. Ele relatou ter sofrido supostas ameaças feitas pelo lobista em meados de junho de 2025, o que reforçou a decisão de manter sua identidade sob sigilo.
Todo o relato, segundo a coluna que divulgou o caso, foi posteriormente enviado por escrito pelo ex-funcionário, e o documento completo foi anexado à reportagem, garantindo fidelidade às declarações apresentadas.
Lulinha aparece citado nas investigações como possível sócio oculto do Careca do INSS em negócios ligados à área da saúde, que teriam como foco contratos ou parcerias junto ao governo federal.
Entre esses negócios, uma das iniciativas mencionadas seria o fornecimento de cannabis em larga escala ao Ministério da Saúde, projeto que, se confirmado, envolveria interesses econômicos e políticos de grande alcance.
Até o momento, trata-se de acusações e relatos em apuração, sem conclusão judicial. O caso expõe, mais uma vez, a complexa interseção entre lobby, poder político e recursos públicos, e deve seguir no centro do debate enquanto as investigações avançam.

