“37 vezes por semana.”
Não importa se a conta é biologicamente plausível ou não — a frase dita por Naldo Benny sobre sua vida íntima com Mulher Moranguinho já cumpriu seu propósito: gerar manchetes, memes e discussões.
O exagero é evidente.
Mas o que realmente está em jogo não é a aritmética, e sim o modo como transformamos a intimidade em espetáculo público.
Num país onde tabus sobre sexo convivem com uma indústria de erotização massiva, declarações como essa encontram terreno fértil.
Riem uns, invejam outros, duvidam quase todos.
O curioso é que, ao invés de questionar a veracidade, muitos se detêm no número.
Como se a questão fosse apenas estatística.
O episódio revela algo mais profundo: a busca incessante por validação pública.
No palco das redes sociais, não basta viver — é preciso narrar, performar e exagerar.
A intimidade, antes guardada entre quatro paredes, vira moeda de relevância digital.
O prazer deixa de ser experiência privada para se tornar narrativa pública.
Naldo não é exceção.
É apenas mais um personagem em uma sociedade onde a medida do desejo é o engajamento.
A revelação também traz à tona a pressão da masculinidade performática.
Quantos homens sentem-se compelidos a exagerar conquistas íntimas para reafirmar virilidade?
Nesse sentido, a frase “37 vezes por semana” não é sobre sexo, mas sobre poder.
Poder de se afirmar, de ser desejado, de ser notícia.
E o público, cúmplice, alimenta o ciclo.
Compartilha, comenta, viraliza.
Cada riso ou emoji de espanto reforça a lógica da superexposição.
A indústria cultural agradece: mais cliques, mais relevância, mais capital simbólico.
E, ironicamente, menos espaço para diálogos maduros sobre sexualidade real.
Enquanto isso, questões sérias permanecem à margem.
A falta de educação sexual nas escolas, o impacto da pornografia na formação de jovens, os problemas de saúde sexual e emocional.
Preferimos rir da hipérbole do funkeiro do que encarar o debate sobre intimidade de forma honesta.
No fim, talvez a maior revelação não seja de Naldo, mas nossa.
Mostramos, mais uma vez, que estamos dispostos a transformar até a vida privada em espetáculo, desde que haja audiência.
E a pergunta que fica é incômoda:
será que ainda sabemos diferenciar desejo genuíno de performance para as câmeras?

