Canadá, Itália, Reino Unido e França podem se unir aos Estados Unidos no combate ao Cartel dos Sóis na Venezuela

A movimentação diplomática em torno da Venezuela ganhou novos contornos após sinais de que Canadá, Itália, Reino Unido e França poderão se alinhar aos Estados Unidos em uma frente de combate ao chamado Cartel dos Sóis. Essa organização criminosa é acusada de atuar dentro das Forças Armadas venezuelanas, operando no tráfico internacional de drogas e se tornando alvo prioritário da Casa Branca há anos. A possibilidade de uma coalizão internacional intensifica a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro.

O Cartel dos Sóis, nome associado às insígnias usadas por militares de alta patente na Venezuela, é apontado por órgãos de inteligência como responsável pela movimentação de toneladas de cocaína da América do Sul para América do Norte e Europa. A expansão dessas atividades teria despertado preocupação global, sobretudo porque envolve estruturas estatais de um país governado por um regime autoritário, o que dificulta ações internas de combate.

Os Estados Unidos já vinham conduzindo medidas severas contra autoridades ligadas ao círculo de Maduro. Há mandados de prisão, acusações de narcoterrorismo e até recompensas milionárias por informações sobre figuras-chave do cartel. O eventual apoio de aliados ocidentais como Canadá, França, Itália e Reino Unido fortalece a estratégia americana de isolar o regime e pressionar o governo venezuelano por meio de instrumentos econômicos, diplomáticos e, eventualmente, de inteligência militar.

Essa aproximação não ocorre por acaso. Nos últimos anos, a União Europeia demonstrou preocupação com o aumento do fluxo de drogas vindas da América Latina, com portos italianos e franceses sendo pontos de entrada. O reforço a uma política coordenada com Washington representaria um passo além, aproximando o Velho Continente de medidas já tradicionais da política externa norte-americana.

O Canadá, por sua vez, tem histórico de alinhamento com os Estados Unidos em temas de segurança hemisférica. Fontes diplomáticas indicam que Ottawa estaria disposta a ampliar sua participação em sanções econômicas e até em missões conjuntas de monitoramento. A justificativa seria a necessidade de conter redes transnacionais que afetam tanto a saúde pública quanto a segurança nacional de vários países.

O governo britânico, em meio às negociações pós-Brexit, busca reafirmar sua relevância internacional em áreas sensíveis. O engajamento contra o narcotráfico seria uma forma de Londres mostrar protagonismo em coordenações multilaterais, especialmente em parceria com Washington. Isso também reforçaria a ideia de uma “aliança atlântica renovada” em tempos de desafios globais.

Na França, a questão é tratada com atenção redobrada. Autoridades francesas veem no Cartel dos Sóis não apenas uma ameaça criminal, mas também uma fonte de instabilidade política e social que pode repercutir em países africanos com os quais Paris mantém laços históricos. O combate à expansão dessas redes de tráfico se tornou pauta de segurança nacional.

A Itália, que enfrenta desafios internos com o fortalecimento da máfia e do narcotráfico, teria interesse em apoiar uma iniciativa internacional que reduza a entrada de drogas em território europeu. O engajamento romano também tem peso político, já que mostra sintonia com parceiros da OTAN em um momento em que o bloco militar busca reposicionar prioridades.

O governo de Nicolás Maduro, por sua vez, nega a existência do Cartel dos Sóis e trata as acusações como parte de uma ofensiva dos Estados Unidos para desestabilizar a Venezuela. Em pronunciamentos recentes, o regime reforçou a narrativa de que a soberania nacional está sendo atacada e que qualquer tentativa de intervenção externa será tratada como agressão direta.

Especialistas em segurança internacional, no entanto, ressaltam que as evidências contra o cartel se acumulam. Depoimentos de ex-militares, apreensões em países vizinhos e investigações realizadas em cooperação com a DEA indicam que há um sistema organizado de tráfico com ramificações no alto comando militar. Essa estrutura teria se consolidado nos anos de crise política e econômica, aproveitando a falta de controle institucional.

O apoio de países europeus e do Canadá a Washington também deve se refletir no campo diplomático, aumentando o isolamento da Venezuela em organismos multilaterais. Isso pode gerar consequências diretas nas negociações sobre sanções e até no reconhecimento de autoridades, lembrando que parte da comunidade internacional chegou a apoiar Juan Guaidó como presidente interino em 2019.

Internamente, o regime chavista enfrenta dificuldades para conter a narrativa de que parte das Forças Armadas estaria envolvida em atividades criminosas. A fidelidade da cúpula militar tem sido um dos pilares de sustentação de Maduro, e a pressão internacional pode tensionar ainda mais essas relações, aumentando o risco de fissuras internas.

Os Estados Unidos defendem que o narcotráfico ligado ao Cartel dos Sóis não é apenas um problema criminal, mas uma questão de segurança regional. Para a Casa Branca, as redes de drogas financiam atividades ilícitas, alimentam a corrupção e sustentam governos autoritários que ameaçam a estabilidade democrática no continente.

O possível alinhamento entre potências ocidentais é visto como um passo decisivo rumo a uma estratégia global de enfrentamento ao cartel. Embora não se fale abertamente em operações militares, a ampliação de sanções, o compartilhamento de informações de inteligência e o bloqueio de rotas financeiras internacionais são medidas concretas que podem ser tomadas em curto prazo.

Para a Venezuela, isso significa encarar um cenário de maior isolamento econômico. Já há dificuldades para acessar mercados internacionais devido às sanções impostas pelos Estados Unidos, e a adesão de Canadá, França, Itália e Reino Unido poderia ampliar consideravelmente esse bloqueio.

A questão humanitária também está em pauta. Críticos alertam que o endurecimento das medidas pode agravar a crise social no país, onde milhões de venezuelanos já enfrentam escassez de alimentos, medicamentos e oportunidades de trabalho. Nesse contexto, cresce o dilema entre pressionar o regime e evitar maiores sofrimentos à população.

Mesmo assim, a comunidade internacional parece inclinada a aumentar a pressão. A expectativa é que uma posição conjunta seja apresentada em fóruns multilaterais nos próximos meses, possivelmente na ONU, como forma de legitimar a coalizão e evitar acusações de unilateralismo.

Os próximos passos dependerão da capacidade de articulação entre esses países e da resposta do governo venezuelano. Até o momento, Maduro insiste em rejeitar as acusações, mas a pressão externa tende a elevar o custo político de manter a mesma postura.

Em resumo, a possível adesão de Canadá, Itália, Reino Unido e França à ofensiva dos Estados Unidos contra o Cartel dos Sóis representa mais do que um movimento diplomático. É um sinal de que o narcotráfico vinculado a estruturas estatais passou a ser visto como ameaça global, exigindo coordenação internacional. O desfecho desse processo poderá redefinir não apenas o futuro da Venezuela, mas também a configuração de alianças políticas no cenário mundial.

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