Câmara de deputados aprova isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês

O que significa, de fato, não pagar imposto de renda até R$ 5 mil mensais? A aprovação unânime da Câmara, com 493 votos a favor e nenhum contrário, é apresentada como vitória popular. Mas a unanimidade esconde nuances que merecem ser examinadas.

 

O projeto livra milhões de trabalhadores de uma carga tributária considerada injusta diante do custo de vida atual. Em tese, mais dinheiro permanece no bolso de quem mais precisa.

 

No entanto, a medida não é neutra: alguém terá de arcar com o peso redistribuído. E esse alguém são os contribuintes mais ricos, com renda acima de R$ 50 mil mensais, que enfrentarão taxação ampliada.

 

A equação parece simples: desonerar a base, onerar o topo. Mas o sistema tributário brasileiro é historicamente permeado por distorções, onde exceções, brechas e regimes especiais frequentemente reduzem o efeito progressivo esperado.

 

A unanimidade parlamentar soa curiosa. Em um Congresso fragmentado, raras são as votações sem dissidências. O consenso sugere não apenas apelo popular, mas também cálculo político em ano pré-eleitoral.

 

Para a classe média, a medida chega como respiro, mas não resolve a sensação de sufocamento. Aluguel, alimentação e transporte continuam corroendo a renda, enquanto a carga indireta — embutida em consumo — segue intocada.

 

A questão, portanto, é menos sobre imposto de renda e mais sobre o modelo tributário. Alívio no contracheque pode criar ilusão de justiça, mas a estrutura regressiva do sistema permanece.

 

A taxação maior sobre rendas altas também abre debate sobre competitividade. Se o Brasil tributa fortemente a pessoa física rica, mas mantém brechas para rendimentos de capital, cria-se um terreno fértil para planejamentos agressivos.

 

Não por acaso, em países da OCDE, reformas tributárias caminham na direção de tributar patrimônio e dividendos, reduzindo dependência do imposto sobre salários.

 

O Brasil, ao contrário, segue insistindo em soluções de curto prazo que reforçam a desigualdade estrutural.

 

A medida pode, sim, aumentar a popularidade do governo junto às classes trabalhadoras. Mas também pode acender resistência silenciosa das elites, tradicionalmente influentes no jogo polí

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