Cachorro há mais tempo em centro de doação de SP ganha família após quase 10 anos de espera

Um cão sem raça definida que passou quase uma década em um centro de doação de animais da Prefeitura de São Paulo finalmente deixou o abrigo e foi adotado por uma família, encerrando um dos períodos de espera mais longos já registrados no serviço municipal de adoção de pets.

O animal, apelidado de Gordo, estava sob os cuidados da Coordenadoria de Saúde e Proteção ao Animal Doméstico (Cosap) desde 8 de agosto de 2016, quando foi resgatado na região de Sapopemba, na zona leste da capital.

Ao longo de quase 10 anos no abrigo, Gordo tornou-se presença constante nos eventos promovidos pela Cosap e chegou a ser considerado o cão com maior tempo de acolhimento no Centro Municipal de Adoção de Cães e Gatos.

Segundo registros oficiais, o cachorro participou de todas as edições da “Semana Animal”, evento anual voltado à promoção de adoções, e até figurou como mascote da edição de 2023.

A mudança na trajetória de Gordo ocorreu no início de fevereiro de 2026, quando a engenheira Luísa Mendes Heise, de 25 anos, visitou o centro de adoção com a intenção de conhecer cães disponíveis e acabou se identificando com o animal.

Em entrevista à equipe da Cosap, Luísa descreveu o encontro com Gordo como “amor à primeira vista” e afirmou que a longa espera do cão por um lar foi um fator determinante na decisão de adotá-lo.

O comportamento do animal no momento do encontro também pesou na escolha da nova tutora: apesar da idade avançada e de dificuldades de mobilidade causadas por artrite, Gordo aproximou-se de Luísa quando ela se aproximou dele.

A adoção de um animal idoso, como Gordo, exige cuidados específicos, segundo técnicos da Cosap. Entre as recomendações estão acompanhamento veterinário regular, ajustes na rotina doméstica e atenção especial às necessidades físicas e emocionais do pet.

A equipe técnica envolvida no processo destacou que cães mais velhos tendem a apresentar comportamentos mais estáveis e menor nível de agitação, o que pode facilitar a adaptação em um novo lar quando o processo é conduzido com paciência e compreensão.

Para incentivar a adoção de animais com idade avançada, a Cosap oferece o “Cartão Cuida Bem Idoso” a tutores que optarem por levar um pet com mais de oito anos para casa. Esse benefício garante atendimento veterinário prioritário e vitalício em hospitais públicos da cidade.

Antes de sua adoção, Gordo viveu em um ambiente padronizado pelo centro, com acesso a cuidados básicos, vacinação, vermifugação, castração, microchip e Registro Geral do Animal (RGA), conforme as normas do programa.

A Cosap afirma que o serviço de adoção ocorre durante todo o ano e atende a diferentes perfis de animais, desde filhotes até idosos, com exigências específicas para cada faixa etária que devem ser observadas pelos adotantes.

O momento da saída de Gordo do centro foi descrito pela equipe como emotivo, marcando o fim de uma fase de espera longa e o início de uma nova etapa na vida do animal.

Técnicos que acompanharam o caso ressaltaram que, apesar da alegria pela adoção, houve também sensação de saudade entre os profissionais que cuidaram do cão ao longo dos anos no abrigo.

Luísa destacou, no relato feito à Cosap, que a responsabilidade de cuidar de um cão idoso é maior, mas que ela se sente preparada para oferecer ao animal um ambiente de acolhimento, carinho e rotina estruturada.

No novo lar, Gordo passou por um período de adaptação que incluiu ansiedade inicial e exploração gradual dos espaços da casa, processo bastante comum em adoções de animais que viveram por longos períodos em abrigos.

A tutora relatou que, apesar da necessidade de tempo para se acostumar com a nova rotina, o cão começou a demonstrar conforto e confiança no ambiente familiar nos dias subsequentes.

Especialistas em comportamento animal ouvidos pela reportagem explicam que cães resgatados e mantidos por muito tempo em centros de adoção podem apresentar desafios emocionais e comportamentais no início da convivência em casa, mas que muitos se adaptam positivamente com suporte adequado.

O caso de Gordo também reacende debates sobre a adoção de animais idosos, tema que, conforme organizações protetoras de animais, merece maior visibilidade e incentivo por parte da sociedade e de políticas públicas voltadas ao bem-estar animal.

A história do cão que esperou quase 10 anos por um lar demonstra a importância de programas de adoção contínuos e de esforços para sensibilizar potenciais adotantes sobre os benefícios e desafios de levar para casa um animal mais velho.

Especialistas afirmam que, além de oferecer um lar para pets como Gordo, a adoção pode ter impactos positivos também na vida das pessoas, promovendo vínculos afetivos, responsabilidade e bem-estar compartilhado entre humanos e animais.

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