A trajetória de Bruna Surfistinha continua gerando debates e reações intensas, especialmente após o recente desabafo público feito pela ex-garota de programa sobre saúde mental, sexualidade e escolhas pessoais. Aos 40 anos, Raquel Pacheco, nome verdadeiro por trás do pseudônimo, expôs seus pensamentos em um vídeo compartilhado nas redes sociais, onde discorreu com franqueza sobre a vida que levou e as decisões que tomou — principalmente a de permanecer em celibato por mais de um ano.
O posicionamento de Raquel surge em meio à forte onda de comentários que interligam sua sexualidade ao estado de sua saúde mental. A influenciadora, no entanto, enfatizou que sexo e doença não são sinônimos, levantando o debate sobre os limites entre comportamento sexual saudável e patologias. “Parece que quando uma mulher decide mudar o curso da própria intimidade, todo mundo acha que ela saiu do trilho”, disse ela em sua postagem, criticando o costume de “diagnosticar” a vida alheia sem embasamento científico.
Raquel revelou que a decisão pelo celibato não surgiu de forma repentina, mas foi construída ao longo do tempo, como parte de um processo de reconhecimento pessoal e autocuidado. “Estou há 1 ano e 2 meses em um estado de celibato voluntário. E isso não causa angústia alguma. Estou em paz, sem sofrência, sem desespero”, declarou, reforçando que a mudança veio como resultado de uma série de reflexões sobre o próprio corpo, desejos e expectativas.
Durante o desabafo, ela também apelou ao respeito ao tratamento que recebe de profissionais. Raquel afirmou que nunca foi diagnosticada com transtornos como transtorno de personalidade borderline ou histriônica, apesar dessas suposições circularem entre internautas. “Nenhum dos prováveis diagnósticos que circulam online foi confirmado pelos três psiquiatras reais com quem conversei. Diagnóstico existe, mas ele é feito por quem estudou, não por quem possui opinião”, ironizou.
A constante tentativa de classificar suas escolhas como sintomas de doenças psicológicas é algo que incomoda Bruna. Em diversas passagens, ela mencionou ter sido rotulada de “doente” por ainda gostar de sexo, como se esse gosto fosse um fator automático para patologias. “Gosto de sexo, e sim, isso não significa distúrbio ou doença”, afirmou, lembrando que sua relação com a intimidade é livre e consciente.
Raquel não se limitou a falar apenas sobre sexualidade e saúde mental. Em sua abordagem, ela também pediu que as pessoas respeitem seu diagnosticamento real, o qual inclui TDAH e crises de ansiedade, conforme já havia compartilhado entre entrevistas anteriores. “Já basta que lidem com as realidades que convivo. Diagnósticos por psiquiatras reais, e não por psiquiatras virtuais”, destacou no fim de seu depoimento.
A questão do vocabulário também mereceu atenção. Bruna convocou seus seguidores a repensarem as formas como tratam a sexualidade feminina em pública, defendendo que a exploração dessas discussões não pode ser feita com senso de culpa ou julgamento moral. Cada escolha íntima, completou, “vem de dentro” e não deve ser usada como justificativa para rotular alguém.
O contexto familiar, aliás, aparece nos relatos da própria autora como ponto de partida de suas buscas pessoais. A infância conturbada e a sensação de não pertencimento, frequentemente abordadas em seus livros e entrevistas, continuam a ecoar como forças motrizes do seu processo de autodescoberta. Hoje, segundo ela, a busca por títulos e rótulos caiu em desuso, e o que importa é o equilíbrio emocional e a liberdade de ser quem realmente se é.
No mundo digital, Raquel tem tornado esses debates públicos mais recorrentes, usando sua experiência para abrir espaço para temas sensíveis de saúde mental e sexualidade. A vítima das redes críticas se transforma em voz ativa, lembrando a milhões de seguidores que a jornada de qualquer pessoa precisa ser respeitada — sobretudo quando trata da própria intimidade.
Mais do que uma simples resposta ao agressivo julgamento virtual, o desabfo de Raquel Pacheco evidencia uma mudança interna profunda. O celibato é apresentado não como um ato de repressão, mas como uma forma de respiro e expressão de amor-próprio — uma maneira de se reconectar com o corpo e com a mente sem pressões externas.
A atitude de Bruna surge em um momento relevante, com discussões sobre saúde mental ganhando cada vez mais espaço no debate público. Seu posicionamento coloca em evidência a importância de distinguir critérios médicos de julgamentos sociais, um passo necessário para despathologizar comportamentos diferentes do imaginário coletivo.
Independente das críticas, Bruna reafirma sua trajetória de transformação e crescimento. A escolha do celibato, para ela, representa apenas um capítulo de sua história, que continua a ser escrita com autonomia, empoderamento e compreensão.
Para muitos seguidores, esse movimento representa um exemplo de escolha saudável, onde o foco está no autoconhecimento e na liberdade individual, longe de padrões impostos por terceiros. Sem dúvida, a postura de Raquel Pacheco traduz uma mensagem de encorajamento: quem decide sobre a própria intimidade é unicamente a própria pessoa.
Nesse contexto, a reflexão que a autora propõe vai além da questão sexual: trata de um convite a repensar preconceitos, ressignificar estigmas e reconstruir narrativas. O que está em jogo, segundo ela, é a saúde emocional — e essa é sempre um direito que ninguém pode roubar.

