Uma mulher brasileira, de 26 anos, foi alvo de uma tentativa de estupro dentro de um trem na região de Paris na manhã desta quarta-feira. Segundo relatos, o agressor aproveitou a redução de movimento de passageiros na composição para isolar a vítima e tentar consumar o crime.
O episódio se deu por volta das 8h30, quando a brasileira embarcou no trem que seguia para Juvisy-sur-Orge, nos arredores de Paris, onde se estabelecera recentemente. A princípio havia outros passageiros no vagão, mas na estação de Choisy‑le‑Roi muitos desceram, deixando apenas a vítima e o agressor.
Relatos indicam que o homem, depois de aguardar o momento em que ficou sozinho com a vítima, passou a atacá-la fisicamente: a segurou pelo pescoço para impedir gritos, mordeu-a no lábio, agrediu-a com tapas e tentou toques íntimos não consentidos. Em suas próprias palavras, a brasileira disse: “Ele me estrangulou para me calar. Foi quando senti que não tinha mais força.”
Em meio ao desespero, a vítima acredita que não sobreviveria caso a agressão prosseguisse. “Me vi morrendo”, relatou. Entretanto, o ataque foi interrompido graças à intervenção de uma outra passageira, que ouviu os gritos e registrou o momento em vídeo, o que obrigou o agressor a abandonar o trem na estação seguinte e fugir.
O vídeo publicado em redes sociais mostra a mulher filmando o agressor enquanto o confronta dentro do trem, exigindo que ele permaneça na composição até a chegada das autoridades. Logo em seguida, ele sai correndo pela plataforma. A vítima declarou: “Não tenho palavras para agradecer a ela. O que teria acontecido se ela não tivesse vindo enquanto ele me estrangulava?”
As autoridades francesas já iniciaram investigação sobre o caso. Até o momento da publicação, o suspeito continuava foragido. A vítima, por sua vez, revelou que se sente muito insegura: “O fato de ele estar por aí me deixa muito nervosa. Eu não ouso mais sair.” Ela ainda expressou preocupação de que o agressor possa repetir o crime com outras mulheres.
O incidente ocorre em um momento em que a violência sexual em transportes públicos na França tem registrado números alarmantes. Segundo levantamento recente, em 2024 foram registradas 3 374 vítimas de violência sexual em transportes públicos, aumento de 6% em relação ao ano anterior. Na região de Île-de-France, onde Paris está localizada, concentram-se “44% de todos os incidentes”, sendo sete em cada dez mulheres afirmando já ter sofrido alguma forma de violência no transporte público.
Especialistas em segurança pública destacam que casos como este evidenciam falhas persistentes na proteção de passageiros, em especial mulheres, em meios de transporte coletivo. A combinação de vagões pouco vigiados, horários de baixa lotação e pouca presença visível de agentes cria oportunidades para a prática de crimes como o que ocorreu.
No contexto da vítima ser brasileira e residente recente na França, o episódio ganha contornos ainda mais delicados. A adaptação a um novo ambiente, barreiras linguísticas e o estado psicológico após o ataque são aspectos que agravam o impacto emocional. A jovem afirmou que “também penso em todas as mulheres que ele poderia atacar nos próximos dias. Tenho certeza de que ele já fez isso antes e vai fazer de novo.”
Fontes policiais ou de transporte ainda não divulgaram detalhes sobre o perfil do agressor, sua possível identidade ou testemunhas que possam ajudar nas investigações. A gravação feita pela passageira que interveio representa um elemento-chave para as autoridades.
Em termos de prevenção, a iniciativa de vagões exclusivos para mulheres ou reforço de patrulhamento em horários críticos têm sido sugeridos por especialistas, embora sua efetividade varie conforme a implementação local. A francesa autoridade de transportes já reconheceu o problema crescente e prometeu novas medidas.
Para a comunidade brasileira residente ou em visita à França, este caso serve de alerta sobre o ambiente de vulnerabilidade em espaços públicos, mesmo em locais considerados relativamente seguros. A jovem agredida disse que “não me sinto mais em segurança na França”.
Do ponto de vista jurídico, a tentativa de estupro é crime grave e, na legislação francesa, inclui pena de prisão e multas elevadas. A mobilização das testemunhas, a existência de imagens e o rápido acionamento das autoridades são fatores que aumentam as chances de responsabilização.
A vítima recebeu apoio de entidades de acolhimento e está sendo acompanhada psicologicamente. A jovem pretende permanecer na França, mas pondera sobre sua mobilidade nos transportes públicos. O apoio comunitário e consular também foi acionado.
À medida que o caso avança, resta saber se o sistema de transporte público de Paris e arredores irá revisar protocolos de segurança para prevenir que situações semelhantes se repitam. Movimentos civis feministas locais já declararam que o episódio reforça demandas por mudanças estruturais no transporte.
Em resumo, trata-se de um caso grave que expõe falhas no sistema de segurança em meios de transporte coletivo e o perigo real que mulheres — e estrangeiras — podem enfrentar em trajetos urbanos. O suporte à vítima, a investigação rigorosa e a responsabilização do agressor são passos essenciais para recuperar a sensação de segurança em ambientes públicos.
Na vigilância contínua desse tipo de ocorrência, recomenda-se que passageiros estejam atentos a comportamentos suspeitos, que utilizem câmeras ou acionem agentes de segurança em trem ou metrô, e que familiares mantenham contato regular quando se deslocam em locais menos movimentados ou em horários de pouca circulação.
Este episódio serve ainda como elemento de reflexão sobre a necessidade de cultura urbana que valorize a vigilância coletiva, a denúncia imediata e o engajamento público para que o transporte coletivo possa ser efetivamente um espaço seguro para todas as pessoas.

