O Brasil registrou uma perda estimada em US$ 700 milhões em vendas de carne bovina para os Estados Unidos entre agosto e outubro de 2025, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). O recuo ocorreu justamente no período em que entraram em vigor tarifas adicionais impostas por Washington sobre produtos brasileiros.
Apesar desse impacto negativo nas vendas para os EUA, o setor bovino brasileiro não desacelerou. No acumulado dos dez primeiros meses do ano, as exportações de carne bovina alcançaram US$ 14,655 bilhões, marcando um recorde para o país.
O volume embarcado também impressionou: foram movimentadas 360,28 mil toneladas em outubro, um aumento de 12,8% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Segundo a Abrafrigo, as perdas nos EUA foram consequência direta das tarifas impostas por Washington, que penalizaram tanto a carne in natura quanto produtos industrializados e subprodutos, como o sebo bovino.
Em outubro, especificamente, as exportações de carne bovina in natura para os Estados Unidos caíram 54%, totalizando apenas US$ 58 milhões.
A carne bovina industrializada também sentiu o efeito: houve uma retração de 20,3%, com receita de aproximadamente US$ 24,9 milhões.
No segmento de gorduras bovinas, o impacto foi ainda mais severo. O sebo e outros tipos de gordura apresentaram queda de 70,4%, resultando em receita de US$ 5,7 milhões.
No entanto, a Abrafrigo destaca que as perdas para os EUA foram parcialmente compensadas por uma maior demanda de outros mercados.
Um dos grandes destaques positivos tem sido a China, que segue como principal destino das exportações brasileiras de carne bovina. De janeiro a outubro de 2025, as vendas para o país asiático somaram US$ 7,060 bilhões, com volume de 1.323 mil toneladas, alta de 45,8% e 21,4%, respectivamente.
Outro destino relevante é a União Europeia, considerada como um único bloco por esses números. Em outubro, as exportações para a UE cresceram 112% em relação a outubro de 2024, chegando a US$ 140 milhões.
No acumulado de janeiro a outubro, as vendas para a União Europeia também avançaram, com alta de 70,2%, totalizando US$ 815,9 milhões. O preço médio da carne bovina in natura exportada para o bloco atingiu US$ 8.362 por tonelada.
Para o mercado estadunidense, essas tarifas significaram uma queda de 36,4% nas vendas entre agosto e outubro, segundo a Abrafrigo.
A associação ressaltou que, embora outras rotas de exportação tenham ajudado a amenizar os prejuízos, a carne bovina brasileira poderia ter alcançado receitas ainda maiores se não fossem as sobretaxas punitivas impostas pelos EUA. “Embora essas perdas tenham sido compensadas com folga pelo aumento das vendas para outros mercados, o fato é que as exportações de carne bovina do Brasil poderiam ser ainda maiores caso as tarifas punitivas do governo dos Estados Unidos … não tivessem sido aplicadas”, afirmou a entidade.
Ainda que o mercado norte-americano tenha sofrido retração, o balanço global das exportações indica robustez. As receitas recordes demonstram a capacidade de adaptação do setor diante de choques externos.
A estratégia de redirecionamento para outros mercados, especialmente a China e a União Europeia, reforça o papel fundamental dessas regiões para o agronegócio brasileiro.
Especialistas apontam que os dados da Abrafrigo e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam como o agronegócio brasileiro pode absorver choques tarifários por meio da diversificação de destinos.
Apesar das perdas com os EUA, o Brasil mantém-se competitivo no cenário global da carne bovina, apoiado por demanda internacional expressiva e redes logísticas consolidadas.
O setor, contudo, segue vigilante. As tarifas impostas pelos Estados Unidos permanecem como fator de risco para futuros contratos e negociações.
Para os frigoríficos brasileiros, a realidade atual exige ajustes estratégicos — seja em produção, logística ou portfólio de exportação — para mitigar os efeitos das sobretaxas e manter a rentabilidade.
Do ponto de vista macroeconômico, a queda nas vendas para os EUA pode afetar o balanço comercial do agronegócio, mas o recorde de receita nos demais mercados ajuda a sustentar a performance positiva.
Em síntese, o Brasil perdeu US$ 700 milhões entre agosto e outubro nas exportações de carne para os EUA, mas a resiliência do setor, marcada por recordes de receita e volume, mostra que o país soube reagir, encontrando espaço em outros destinos internacionais.
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