Documentos liberados recentemente, associados aos arquivos de Jeffrey Epstein, voltaram a gerar repercussão internacional entre o fim de janeiro e o início de fevereiro de 2026. O material menciona trocas de e-mails ocorridas entre 2015 e 2017 envolvendo Bill Gates e temas ligados à saúde global.
Entre os assuntos citados nas comunicações aparecem expressões como “preparação para pandemias” e “simulações”, termos que ganharam peso especial após a pandemia de Covid-19. As mensagens fazem referência a debates sobre riscos sanitários e possíveis respostas internacionais.
Parte dessas conversas estaria relacionada a projetos vinculados à bgC3, um think tank fundado por Gates após sua saída da Microsoft. O foco da organização era pesquisa e articulação em saúde pública, ciência e inovação.
Os documentos indicam também que havia menções à necessidade de envolvimento de organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde, em estratégias de preparação para crises sanitárias globais.
O nome de Jeffrey Epstein aparece nesse contexto como alguém que buscava se aproximar ou se informar sobre projetos ligados à saúde global e à chamada biodefesa. Há relatos de que, em um e-mail de 2015, teria sido citado o tema de “simulação de cepas pandêmicas”.
Essas informações, no entanto, não detalham a profundidade nem o objetivo específico dessas conversas. Os registros mostram contatos e trocas de mensagens, mas não descrevem planos operacionais ou ações concretas.
Bill Gates já admitiu publicamente que manteve contatos com Epstein no passado e afirmou se arrepender dessas interações. Segundo ele, o objetivo teria sido buscar apoio financeiro para iniciativas de saúde global da fundação que leva seu nome.
Gates nega qualquer vínculo com os crimes cometidos por Epstein e afirma que desconhecia a extensão das atividades criminosas do financista à época dos encontros. Seus representantes reforçam que as reuniões foram um erro de julgamento.
A divulgação dos documentos reacendeu debates e especulações nas redes sociais. Para alguns, os e-mails indicariam algo mais profundo; para outros, tratam-se de discussões genéricas e comuns em círculos de filantropia e saúde pública.
Verificações de fatos publicadas no início de fevereiro de 2026 apontaram que é falsa a alegação de que os arquivos mostram, de forma direta, Gates e Epstein discutindo “simulações de cepas” em conjunto e de maneira operacional.
Outros relatórios, baseados na mesma leva de documentos, confirmam apenas que havia referências amplas a “simulações de pandemia” no contexto geral das comunicações da época, sem ligação comprovada com eventos futuros específicos.
Até o momento, não há evidências documentais que conectem essas conversas à pandemia de Covid-19 ou a qualquer planejamento deliberado nesse sentido. O tema segue cercado de controvérsia, interpretações divergentes e forte polarização.
O caso ilustra como documentos reais podem dar origem a leituras distintas e, muitas vezes, a teorias especulativas, reforçando a importância de separar fatos comprovados, contexto histórico e conjecturas.

