A modelo italiana Bianca Balti fez notícia nos últimos meses ao revelar um diagnóstico de câncer de ovário de estágio 3C, condição que veio após ela identificar‑se como portadora do gene BRCA1.
Em carta aberta divulgada por ela, Balti afirmou que solicitou à marca Victoria’s Secret a participação no desfile de 2025, com o objetivo de dar visibilidade a mulheres que enfrentam ou enfrentaram câncer.
Contudo, segundo a modelo, o pedido foi negado pela grife, que informou que “o elenco já estava fechado” para aquela edição.
A negativa reacendeu o debate sobre representatividade, inclusão e visibilidade de pessoas com histórico de doença grave no mundo da moda, tema que ganhou relevo especialmente após as transformações recentes no setor.
Balti, que começou sua carreira ainda muito jovem e se tornou destaque internacional, sempre se inseriu entre as modelos de elite, com passagens por campanhas de grifes como Dolce & Gabbana.
Em setembro de 2024, após perceber dores abdominais, Balti foi diagnosticada com câncer de ovário e não hesitou em compartilhar a descoberta com seus seguidores. Em uma publicação no Instagram, ela descreveu: “Foi uma semana cheia de medo, dor e lágrimas, mas, principalmente, de amor e força”.
Antes do diagnóstico, em 2022, ela havia submetido‑se a uma mastectomia dupla preventiva ao descobrir que era portadora da mutação genética BRCA1, o que elevava significativamente seu risco de desenvolver câncer de mama ou ovário.
A carta enviada à Victoria’s Secret incluía esta declaração de Balti: “Não (apenas) porque sou bonita, mas porque represento os milhões de mulheres que têm, tiveram ou terão câncer. Quero mostrar que um diagnóstico não é o fim da beleza, da confiança ou da sensualidade”.
A própria empresa ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, segundo os veículos que relataram o episódio, o que gerou críticas sobre transparência e compromisso com diversidade e inclusão.
Especialistas em moda afirmam que o segmento vem passando por uma pressão crescente para ampliar o espectro de representatividade — não apenas em termos de etnia ou corpo, mas também de vivências como doenças, deficiência ou recuperação.
Para Balti, a negação não significou um recuo em seu propósito: ela participou de eventos públicos, portou sua imagem sem esconder as marcas do tratamento — inclusive ao aparecer com cabeça raspada após a quimioterapia —, e adotou uma postura de defesa da autoestima e da visibilidade.
Em fevereiro de 2025, no Festival de Sanremo, a modelo reapareceu em tapete vermelho com aparência marcante, pontuando que seu retorno à cena era uma celebração da vida, não um retrato de doença.
O caso também suscita reflexões no campo da saúde pública: reconhecida a defasagem de campanhas de conscientização que mostrem mulheres que enfrentam câncer e estão além da fase de tratamento, engajadas no trabalho, na maternidade ou na moda.
Balti afirmou que sua motivação era dupla: “Para mim, para minhas filhas e para todas vocês que precisam ver força refletida de volta”, escreveu‑ela, dirigindo-se também a mulheres fora do mundo da moda.
A recusa da marca levantou perguntas sobre o fator idade, padrão corporal e expectativas de “aptidão física” nas passarelas — aspectos que a própria Balti mencionou ao afirmar: “Não sou a mais nova, curvilínea ou em melhor forma, mas sou forte, corajosa e vivo”.
Do ponto de vista empresarial, a marca enfrenta desafios de imagem: por um lado, busca se reposicionar como mais inclusiva; por outro, atua sob pressões logísticas, comerciais e de performance que podem limitar escolhas de casting.
A experiência de Balti se insere num momento de transição da indústria fashion, marcada por críticas à homogeneidade e por maior demanda por autenticidade e histórias reais de superação.
Em meio ao tratamento, a modelo manteve‑se ativa nas redes sociais e no engajamento público, mostrando‑se como voz de conscientização sobre prevenção e genética, com foco especial em portadoras do gene BRCA.
A repercussão gerou simpatia internacional. Usuários de redes sociais, colegas de profissão e organizações de saúde elogiaram sua abertura e coragem, destacando o impacto que uma figura pública pode ter na mobilização social.
Para Balti, a recusa da marca não alterou seu objetivo principal: “Tentei. Não aconteceu. Mas não tenho arrependimentos”, disse‑ela, reforçando que o processo foi parte de sua jornada.
Agora, a questão permanece: até que ponto as grifes de moda estão prontas para abraçar modelos cuja trajetória incluiu doenças graves? O episódio oferece ponto de reflexão para a indústria, para consumidoras e para marcas.
Em resumo, Bianca Balti transformou um momento pessoal de risco de vida em mensagem de resiliência e visibilidade, e seu caso levanta debates sobre padrões de beleza, inclusão de experiências diversas e o papel das marcas na representação contemporânea.

