A equipe da cantora Beyoncé anunciou nesta terça-feira que entrou com medida judicial contra os responsáveis pelo filme Dark Horse, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação refere-se ao uso não autorizado da música Survivor no teaser de divulgação da produção.
Segundo informou Anderson Nick, coordenador de projetos da instituição filantrópica da cantora, a canção foi utilizada sem consentimento. “Obviamente a música foi utilizada sem autorização e as providências legais já estão sendo tomadas para que o trailer seja retirado o mais rápido possível”, disse ele, conforme publicação nas redes sociais.
O filme “Dark Horse” visa narrar a vida pública de Jair Bolsonaro — desde sua atuação como deputado até eventos marcantes como o atentado sofrido durante a campanha de 2018. O teaser com a música de Beyoncé vinha sendo divulgado em plataformas de vídeo e redes sociais como parte do marketing de lançamento.
A faixa “Survivor” alcançou grande notoriedade nos anos 2000, interpretada pelo grupo Destiny’s Child — do qual Beyoncé fazia parte — e composta pela própria artista em parceria com Anthony Dent e Mathew Knowles. Em razão desse sucesso, o uso indevido no teaser chamou atenção da equipe da artista.
Fontes ligadas à produção do longa informam que o filme é produzido e roteirizado pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário nacional de Cultura. O ator americano Jim Caviezel, conhecido por sua atuação no filme “A Paixão de Cristo”, foi escalado para interpretar Jair Bolsonaro. A direção está a cargo de Cyrus Nowrasteh. As filmagens ocorreram no Brasil e nos Estados Unidos, com estreia prevista para 2026.
De acordo com os representantes de Beyoncé, o uso da trilha sonora sem autorização representa violação de direitos autorais e de imagem, uma vez que a música integra o catálogo da artista e requer consentimento formal para veiculação pública ou associada a produções de terceiros.
Após o aviso de fãs que identificaram a “surpresa sonora” no trailer, a equipe jurídica da cantora atuou de forma rápida, solicitando a retirada imediata do material das plataformas até que a regularização dos direitos autorais seja realizada — ou até que se defina a necessidade de indenização por uso indevido.
Até o momento, não há declaração pública da produtora responsável ou dos idealizadores do filme. A ausência de posicionamento oficial mantém em aberto o impasse sobre o futuro da divulgação do longa e sobre possíveis ajustes no uso de trilha sonora.
O episódio acende o debate sobre os limites legais da utilização de obras artísticas em produções cinematográficas — especialmente quando se trata de biografias com temática política e quando há potencial para grandes repercussões midiáticas, como é o caso de “Dark Horse”.
Para analistas de direitos autorais, a situação reforça a importância de licenciamento formal prévio sempre que se pretende incluir músicas de terceiros em trailers ou materiais promocionais. O uso de obras sem consentimento pode levar não apenas a ações judiciais, mas também à remoção obrigatória do conteúdo e eventuais sanções.
Vale destacar que, apesar de o filme ainda não ter sido lançado oficialmente, o impacto negativo da controvérsia já se espalha nas redes e na imprensa — o que pode gerar repercussões tanto para a imagem da produção quanto para a adesão do público futuro.
O protagonismo de Jim Caviezel e a produção internacional do longa contribuem para que “Dark Horse” alcance visibilidade ampla, o que intensifica a sensibilidade do uso correto de trilha sonora e direitos autorais, sobretudo em relação a uma artista global como Beyoncé.
Além disso, dado o perfil polarizador de Jair Bolsonaro, a associação da música com a narrativa fílmica cria tensões adicionais: fãs da cantora e críticos da produção veem o uso da canção como tentativa de legitimar ou glorificar determinada figura pública por meio de apelo emocional-musical.
Por outro lado, os idealizadores afirmam que o filme visa retratar uma trajetória política sob a ótica de mártir, com o objetivo de narrar eventos definitivos da carreira de Bolsonaro — o que, para seus defensores, justificaria o uso de uma música que remete à superação. Mesmo assim, o uso sem autorização legal fragiliza qualquer argumento de legitimidade.
Enquanto o processo legal corre, a disputa acende um alerta para outros produtores de conteúdo: a utilização de músicas famosas em trailers e teasers deve seguir rigorosamente a legislação de direitos autorais. A eventual condenação da produtora pode se tornar referência judicial para casos semelhantes.
De forma mais ampla, o caso expõe o desafio de produções culturais — especialmente biográficas — de lidar com as complexidades jurídicas da música, imagem e licenciamento, sobretudo quando envolvem artistas de relevância internacional e narrativas politicamente sensíveis.
Se a Justiça conceder liminar para retirada do teaser, o impacto inicial de marketing pode ser prejudicado, forçando a produção a buscar alternativas de promoção que não dependam dessa música. Isso poderia atrasar a divulgação e até mesmo a data de estreia prevista para 2026.
De toda forma, o incidente já coloca “Dark Horse” sob atento escrutínio público, abrindo espaço para questionamentos sobre procedimentos adotados pela equipe de produção e futura recepção do filme, tanto pela crítica quanto pelo público em geral.
O desenrolar do caso dependerá agora da decisão judicial, bem como da postura da produtora e dos responsáveis pelo filme — se irão renegociar os direitos de uso da música, substituir a trilha ou manter o teaser com risco de sanções.
Em meio à controvérsia, a posição de Beyoncé surge como clara demonstração de zelo pelos direitos autorais e pela integridade de sua obra artística, reforçando que uso indevido não será tolerado, mesmo em produções de grande porte ou de teor político.
A disputa jurídica em curso marca um importante precedente no Brasil sobre respeito a direitos autorais de artistas internacionais, sobretudo em contextos de intensa exposição midiática e com grande potencial de repercussão.
O caso da música “Survivor” pode servir como alerta e exemplo para futuros produtores: a celebração de trajetórias públicas através do cinema — seja de figuras políticas ou históricas — não dispensa o cumprimento de normas de licenciamento e uso responsável de obras protegidas.

