Assembleia Legislativa do RJ aprova bônus de até 150% do salário para policiais civis que matarem criminosos em confrontos

Quantos governos podem dizer, sem rodeios, que vão pagar para que se mate?
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro acaba de aprovar um bônus de até 150% do salário para policiais civis que matarem criminosos em confrontos.

A medida choca não apenas pela transparência, mas pelo simbolismo brutal: a vida é transformada em mercadoria.
Não se trata de uma política de segurança convencional; é uma transação direta entre risco e recompensa letal.

É difícil ignorar a analogia: transformar policiais em caçadores remunerados.
O efeito psicológico sobre agentes e população é profundo e perigoso.

Para o governo, a justificativa é simples: combater a criminalidade em um estado onde homicídios dispararam.
Mas a pergunta que poucos fazem é: a que custo moral se busca essa eficiência?

Estudos internacionais sobre bônus por mortes policiais não são animadores.
A prática tende a aumentar confrontos letais, reduzir prisões e corroer a confiança pública nas forças de segurança.

No Rio, a violência é real e tangível.
Mas a política de incentivo financeiro a homicídios institucionais pode criar um ciclo que legitima execuções extrajudiciais.

Cada pagamento extraordinário é um eco da lógica de “resultado a qualquer preço”.
A linha entre justiça e abuso desaparece quando o Estado monetiza a morte.

O bônus também altera a dinâmica interna das corporações.
Policiais podem ser pressionados a buscar confrontos para garantir ganhos, gerando rivalidades e decisões arriscadas.

Além disso, há uma mensagem social inquietante.
Para a população, o governo sinaliza que certos corpos valem mais que outros.

A imprensa internacional já percebeu: a política é vista como regressiva, quase distópica.
Não é apenas um problema de segurança; é um debate ético e humanitário.

Críticos argumentam que programas assim fortalecem milícias e grupos paramilitares.
Os incentivos financeiros podem ser desviados para interesses particulares, corroendo a credibilidade institucional.

Há ainda a dimensão legal: execuções extrajudiciais, mesmo em contexto de confronto, podem gerar responsabilização civil e criminal.
O Estado se expõe a condenações nacionais e internacionais.

Defensores afirmam que a medida salva vidas, intimidando criminosos.
Mas estudos mostram que a letalidade como estratégia de segurança raramente reduz a criminalidade estrutural.

O dilema se amplia: eficiência versus ética, resultado versus processo, morte versus cidadania.
A sociedade precisa questionar se aceitará um modelo onde recompensar mortes é ferramenta de política pública.

No fim, a decisão do Rio ressoa além da segurança: desafia o tecido moral da democracia.
E deixa uma pergunta inquietante: até que ponto o Estado pode monetizar a morte sem perder sua própria humanidade?

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