Aposentado morto em porta de delegacia queria registrar a perda de documentos

- Anúncio -

O idoso saiu de casa com a intenção de registrar a perda de seu documento de identidade.

Valdecir de Jesus, de 62 anos, saiu de casa na última sexta-feira (21), para ir até a 5° Delegacia de Polícia (Gomes de Freitas), para fazer o registro de ocorrência da perda de sua carteira de identidade.

Como já havia perdido o documento há dois dias, e iria viajar para São Paulo, resolveu ir de manhã na delegacia.

- Anúncio -

O filho do aposentado chegou a oferecer para ele de fazer o registro pela internet, mas ele preferiu fazer “à moda antiga”.

Chegando na delegacia, ele não percebeu quando alguém lá de dentro gritou para ele não entrar.

Assim que puxou a porta, levou um tiro no peito, e caiu do lado de fora.

Valcecir morreu com uma carteira do Sindicato dos Empregados e Trabalhadores da Estiva nas mãos, com a qual pretendia comprovar quem era.

Além de Valdecir, outras três pessoas foram baleadas no tiroteio da delegacia, sendo um deles o homem que disparou contra o aposentado.

Jefferson Perceu Maciel Saraiva, um ex-soldado da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, que havia sido preso um tempo antes, depois de quebrar com a cabeça um vidro do Aeroporto Santos Dumont.

Ele foi algemado e levado até a 5° DP, por uma equipe do programa Aterro Presente. Para que ele pudesse assinar o boletim de ocorrência um PM soltou a algema e ele então tomou a pistola do policial.

- Anúncio -

Jefferson disparou duas vezes contra Marcos Freire, chefe de segurança da Infraero que o conteve no aeroporto até a chegada da equipe do Aterro Presente. Errou o disparo e acabou acertando, primeiramente, Francisco Luiz Xavier, que, assim como Valdecir, tinha ido à delegacia fazer um registro. O estivador aposentado foi baleado logo em seguida.

 Francisco mesmo ferido conseguiu correr para fora da 5ª DP, e caiu no asfalto da Rua Gomes Freire. 

Jefferson também tentou matar o delegado que registrava sua prisão, mas errou de novo e atingiu o policial civil Nadmar Junger antes de sair pela porta. Já na rua, roubou uma motocicleta para fugir, mas levou um tiro na cabeça, provavelmente disparado por um PM que chegava com colegas ao local. Foi hospitalizado em estado grave.

Uma testemunha conta que o homem estava “perturbado e agressivo, quando foram retiradas as algemas.

” — Ele pediu para ler o registro da prisão. Nesse momento, um dos PMs do Aterro Presente consentiu e tirou as algemas. O rapaz, então, começou a ler o documento em voz alta, e bem devagar. Estava estranho. De repente, arrancou a arma do PM e atirou duas vezes em direção ao funcionário da Infraero que o conteve durante o surto no aeroporto. O segurança nasceu de novo. O bandido estava a menos de quatro metros, e errou o alvo” contou a testemunha, que pediu para não ser identificada.

- Anúncio -

Um vizinho que viu o corpo de Valdecir na porta da DP, chamou um dos cinco filhos do aposentado que correu para o local e ao chegar e ver o pai morto caiu em desespero.

No Instituto Médico-Legal (IML), no Centro da cidade, a esposa lembrava a todo momento que o idoso não quis registrar a perda do documento pela internet.

“— Valdecir era teimoso, e gostava de fazer tudo certinho. Por isso, preferiu ir à delegacia para registrar a perda da carteira de identidade, queria se certificar de que não haveria erro. A gente não merecia isso.”, disse a viúva.

Histórico de problemas

Jefferson já havia surtado dentro de outra delegacia. Quando trabalhava como PM na cidade potiguar de São Miguel do Gostoso, já começou a apresentar os primeiros sinais de problemas mentais.

Em 18 de fevereiro de 2014, não se conformando em ser rejeitado, foi acusado de tentar matar, a tiros, a namorada de sua ex-mulher.

Depois, foi denunciado por invasão a uma residência. Ele se apresentou a uma delegacia para prestar depoimento e, segundo seu advogado, Luiz Henrique de Araújo Diniz, teve uma nova crise:

“— Uma delegada o mandou entregar uma arma, e, quando se virou virou para ligar um computador, ele saltou um balcão e fugiu. Roubou dois veículos e foi parar na casa de um parente em Recife. Não sei como conseguiu chegar até lá. Foi diagnosticado como esquizofrênico paranoide pelo departamento médico da Polícia Militar do Rio Grande do Norte. Acabou condenado a dez anos por tentativa de homicídio, e passou três anos internado numa instituição psiquiátrica” — contou o advogado.

Enquanto Jefferson abria fogo na 5ª DP, a mãe dele, a professora Aparecida Maciel, participava de uma missa em celebração ao lançamento de seu livro “A vitória pela fé”, no qual contou a história de dificuldades que teve em sua vida como mãe, e tudo que passou para cuidar do filho.


Qual sua opinião? Escreva abaixo👇
- Anúncio -

Written by Ana Paula

Jornalista de profissão, e redatora por vocação. Escrevo com prazer tentando passar em palavras, emoções que possam tocar a vida das pessoas. Nas horas vagas mamãe de gatos e degustadora de cafés, que são meus grandes amores.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Felipe Neto diz que nunca esteve tão rico e tão triste em toda a vida

‘Quero fazer a minha vida’, diz inocentado por DNA após passar 10 anos na cadeia por estupro