A cena de Rodrigo Manga, prefeito recentemente afastado de Sorocaba, vendendo amendoim na praia e exibindo uma placa com um pedido de PIX, é um evento que transcende o inusitado.
É uma performance política calculada de vitimização, que busca mobilizar o apoio popular e subverter a narrativa do seu afastamento judicial.
A Estratégia da Desinstitucionalização
Um prefeito afastado, que por lei mantém todos os seus benefícios e remuneração, não tem a necessidade econômica de vender amendoim.
A ação é, portanto, uma estratégia de comunicação que visa:
* Humanização: Apresentar-se como um homem comum, um “guerreiro” que, mesmo após ter sido “derrubado” pelo sistema, não hesita em trabalhar honestamente.
* Vitimização: Sugerir que o afastamento é uma injustiça tão grave que o forçou a uma situação de subsistência, apelando à empatia do eleitorado que valoriza o esforço e a superação.
* Mobilização Financeira: O pedido de PIX transforma a cena em uma campanha de doação disfarçada, convertendo o apoio emocional em apoio financeiro direto para custear a batalha legal e política que se seguirá.
O Poder da Viralização e o Julgamento Midiático
A rápida viralização da cena é o objetivo principal. As redes sociais se tornam o tribunal de apelação de Manga, onde o julgamento popular pode ser manipulado em seu favor, contrastando com o julgamento formal que o afastou do cargo.
O reconhecimento pelos banhistas reforça a autenticidade da “cena”, garantindo a ampla repercussão midiática.
O ceticismo nos obriga a separar o ato político da realidade jurídica. O afastamento de um prefeito é uma medida grave, tomada por instâncias superiores, geralmente baseada em indícios de má gestão ou irregularidades.
A venda de amendoim, embora simpática, não anula as acusações que motivaram a decisão judicial.
O “e daí” dessa performance é que ela representa o uso de táticas populistas para desafiar o Poder Judiciário. Manga tenta inverter a lógica: o problema não é a sua conduta, mas o “sistema” que o impede de trabalhar.
Resta saber se o amendoim será suficiente para reverter a decisão que o tirou do gabinete.

