A rotina de uma faculdade foi brutalmente interrompida na noite de sexta-feira (6): a professora de Direito Juliana Mattos de Lima Santiago, 41 anos, foi morta a facadas por um estudante dentro de uma sala de aula no Centro Universitário Aparício Carvalho (Fimca), em Porto Velho (RO).
O agressor foi identificado como João Cândido da Costa Júnior, 24 anos, aluno do curso de Direito da própria instituição. Testemunhas relatam que ele foi contido por presentes no local imediatamente após o ataque e detido em flagrante pela polícia.
Imagens registradas por pessoas no campus mostram o momento em que o suspeito é imobilizado, enquanto outros estudantes cercam a professora ferida e tentam socorrê-la.
Juliana ainda chegou a ser socorrida em estado grave e encaminhada ao Hospital João Paulo II, mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito poucas horas depois.
A vítima não era apenas docente; ela também atuava como escrivã da Polícia Civil de Rondônia, equilibrando carreira acadêmica e serviço público, fato que reforça o impacto de sua morte tanto no meio educacional quanto no institucional.
A faculdade emitiu nota lamentando o ocorrido, e autoridades lamentaram a perda. Um dos pronunciamentos públicos veio do deputado federal Maurício Carvalho (União-RO), que pediu respeito à memória de Juliana e refletiu sobre a insegurança vivida por educadores.
Segundo as primeiras informações divulgadas pelas autoridades, a motivação do ataque ainda não foi oficialmente esclarecida. A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias e a dinâmica do crime para entender o que levou o aluno a cometer o ato.
Ataques desse tipo são relativamente raros no ambiente universitário brasileiro, mas não inéditos em contextos educacionais globais — episódios como o massacre de Suzano em 2019 lembram que escolas e faculdades podem ser palco de violência extrema quando fatores individuais e sociais se combinam de forma trágica.
Especialistas em segurança escolar destacam a importância de políticas preventivas e de apoio psicológico a alunos, além de mecanismos de contenção e vigilância que possam identificar sinais de risco antes que situações escalem para violência letal.
O caso também levanta questionamentos sobre a proteção de professores e servidores públicos dentro de instituições de ensino, que muitas vezes lidam com desafios comportamentais e psicológicos entre alunos, sem estrutura adequada para prevenção e resposta a crises.
A morte de Juliana Santiago reverbera em toda a comunidade acadêmica de Porto Velho, em Rondônia e na Bahia, estado onde ela cresceu e manteve laços afetivos e profissionais antes de seguir carreira na região Norte.
Enquanto a investigação policial continua, colegas, estudantes e familiares buscam compreender o que motivou tamanha violência e como a tragédia poderia ter sido evitada — e, sobretudo, lamentam a perda de uma educadora e servidora pública que dedicou sua vida ao ensino e à justiça.

