Depois de mais de dois anos sob condições desumanas, controlado por militantes e privado de liberdades básicas, o jovem israelense Evyatar David finalmente retornou à sua terra natal. Durante esse período angustiante de cativeiro nas profundezas de túneis na Faixa de Gaza, ele foi mantido em condições degradantes, quase sem alimentação e com constantes ameaças à sua vida. No entanto, com o avanço lento das negociações mediadas por múltiplos intermediários internacionais, chegou o dia do reencontro com sua família – um desfecho muito esperado após centenas de dias de sofrimento.
A dramática história de Evyatar começou em 7 de outubro de 2023, quando ele participava de um festival de música próximo à fronteira entre Israel e Gaza. Naquele dia, um ataque liderado pelo Hamas resultou na morte de centenas de pessoas e no sequestro de mais de 250 civis. Entre eles estava David, levado pela força para cativeiro subterrâneo. Nos meses seguintes, a família viveu na incerteza, recebendo poucas informações e lutando para manter viva a esperança de sua libertação.
Durante o período em que esteve sob custódia, o refém chegou a gravar mensagens em vídeo mostrando-se visivelmente debilitado, com aparência de faminto e citando dias sem comida ou água. Em uma das gravações, ele relata estar cavando o que acredita ser sua própria sepultura, afirmando: “Esta é a sepultura em que acho que serei enterrado. O tempo está acabando.” Essas palavras comoventes rodaram o mundo e escancaram a grave crise humanitária envolvendo reféns do lado israelense.
Documentos clandestinos e depoimentos de outros prisioneiros apontam que Evyatar passou boa parte desse tempo em um túnel estéril, sem ventilação adequada, luz ou higiene básica. A alimentação era restrita a refeições mínimas, principalmente lentilhas e feijão, e em muitos dias ele ficava sem comer. A situação foi marcada não apenas pela fome, mas por registros de agressões verbais e psicológicas. Essas condições levaram observadores internacionais a denunciar as ações do Hamas como violação dos direitos humanos.
As chamadas “imagens de propagação” divulgadas pelo grupo mostravam Evyatar com aparência quase esqueletizada, incapaz de se manter em pé, enquanto afirmava que a água também era escassa. Em uma tentativa de pressionar o governo israelense, os capturadores associaram suas condições às dificuldades enfrentadas pela população de Gaza, destacando frases como “Eles comem o que nós comemos, bebem o que nós bebemos”. Apesar dessa retórica, organizações internacionais classificaram a campanha como uso político da dor humana.
A reação internacional foi imediata. Autoridades israelenses ressaltaram a crueldade das condições a que os reféns estavam submetidos. O ministro das Relações Exteriores do país afirmou que “o mundo não pode permanecer em silêncio diante do abuso deliberado dos prisioneiros, que inclui privação de comida”. Além disso, grupos de ex-generais e especialistas em segurança pressionaram o governo a buscar, com urgência, a libertação dos reféns, considerando que o Hamas não detinha mais capacidade estratégica militar para representar uma ameaça de longo prazo.
Em paralelo, intensificou-se a pressão internacional por um cessar-fogo. Negociadores dos Estados Unidos, liderados pelo enviado especial da Casa Branca, participaram de rodadas de diálogo no Oriente Médio. Parte do acordo em questão previa a troca de prisioneiros palestinos por reféns israelenses, sob a supervisão de múltiplos países como mediadores. A família de Evyatar chegou a afirmar que a luta não era apenas por seu filho, mas pela libertação de todos os sequestrados.
A expectativa cresceu com os primeiros sinais de avanço na diplomacia. O grupo do Hamas demonstrou disposição para liberar parte dos prisioneiros em troca de concessões temporárias, embora mantivesse uma postura rígida em relação às exigências de cessar-fogo. Em meio a esse impasse político, o destino de Evyatar permaneceu incerto, apesar de sua condição cada vez mais frágil.
Em 13 de outubro de 2025, após mais de 700 dias de cativeiro, a libertação foi finalmente concretizada. Evyatar voltou a respirar o ar fora dos túneis. Imagens emocionantes mostraram-no sendo recepcionado por forças de segurança israelenses e transportado a um hospital, onde reencontrou os pais em um abraço cheio de lágrimas. Sentindo-se “maravilhado por ainda estar vivo”, o jovem expressou gratidão pela intensidade dos esforços que culminaram em sua libertação.
A chegada ao território israelense representou não apenas o encerramento de um calvário pessoal, mas um marco simbólico para inúmeras famílias que viviam no vazio informativo sobre seus parentes. O sequestro de 2023 permanece como o maior episódio de reféns da região, e mesmo com mais da metade dos cativos já libertada, dezenas ainda aguardam a chance de voltar para casa.
A experiência de David reacendeu debates profundos sobre a eficácia das políticas de segurança, a responsabilidade internacional e os caminhos diplomáticos para o fim da guerra em Gaza. Enquanto o governo israelense vê avanços concretos na libertação de civis, vozes críticas apontam que a violência continua e que novas formas de pressão, inclusive políticas e econômicas, devem ser exploradas para restaurar a normalidade.

