Antes da megaoperação, BOPE fez simulações por 75 dias em favelas dominadas pelo CV

O Batalhão de Operações Policiais Especiais confirmou que atuou de maneira contínua ao longo de 75 dias em um conjunto de favelas dominadas pelo Comando Vermelho, realizando ações que chamou de “operações-ensaio”. Essa etapa preliminar teve como objetivo reunir informações estratégicas antes da ofensiva de grande porte nos complexos do Alemão e da Penha.

Durante esse período, equipes do BOPE circularam por diferentes territórios considerados sensíveis, avaliando rotas de fuga, medindo a capacidade de resposta das quadrilhas e observando o comportamento adotado pelos grupos criminosos diante da presença policial. As áreas visitadas incluíram localidades como Cidade de Deus, Gardênia Azul, Lins, Dois Irmãos e regiões próximas à Vila Cruzeiro.

A iniciativa foi descrita como parte de uma preparação aprofundada para entender o funcionamento das dinâmicas internas dos criminosos antes de qualquer ação mais ampla. Segundo os responsáveis pela operação, a meta era gerar um diagnóstico preciso capaz de orientar os próximos passos e evitar imprevistos durante a execução da megaoperação.

De acordo com o tenente-coronel Marcelo Corbage, os ensaios realizados contribuíram diretamente para a montagem da estratégia final colocada em prática nos últimos dias. Ele explicou que essa metodologia permitiu a distribuição planejada de tropas de infantaria por diversos acessos, de modo a ampliar a capacidade de controle territorial.

Corbage afirmou que as incursões preliminares trouxeram dados importantes para a elaboração do plano tático. Durante essas ações, contudo, houve registro de ao menos um policial que sofreu ferimentos graves, evidenciando o grau de risco envolvido em missões desse tipo.

Os ensaios também ajudaram a estimar a articulação das facções e a identificar pontos considerados críticos, o que teria influenciado diretamente na forma como a operação principal foi desenhada. A corporação afirma que esse tipo de estudo prévio aumenta a chance de execução precisa e reduz a margem para erros.

Ao mesmo tempo em que a segurança pública ocupou o centro dos debates, o cenário político ganhou novos contornos com declarações recentes do ex-ministro Paulo Guedes. Em um evento realizado em São Paulo, ele disse acreditar que dois mandatos presidenciais seriam suficientes para promover mudanças estruturais no país.

Durante sua fala, Paulo Guedes argumentou que o Brasil poderia percorrer um “caminho da prosperidade” semelhante ao trilhado por nações que hoje figuram entre as economias mais influentes do mundo. Ele citou especificamente a trajetória da Alemanha como um exemplo de transformação acelerada após períodos de dificuldade.

Guedes afirmou que, em aproximadamente 15 anos, a Alemanha — que enfrentava um quadro de forte pobreza — conseguiu remodelar sua economia de maneira sólida e rápida, alcançando um novo patamar de desenvolvimento. Ele destacou esse caso como uma prova de que mudanças profundas são possíveis quando há continuidade e coerência em políticas públicas.

Outro exemplo mencionado foi o da China. O ex-ministro lembrou que o país asiático registrou um ritmo de crescimento considerável ao longo das últimas décadas, impulsionado por uma estratégia de modernização que combinou reformas internas com inserção internacional. Para ele, esse modelo demonstra o impacto de uma gestão de longo prazo.

Em sua análise, Guedes fez críticas a governos que, segundo suas palavras, priorizam programas sociais que não estariam conectados a metas de sustentabilidade econômica. Para ele, esse tipo de política traz como consequência o aumento da inflação e dos juros, além de dificultar o avanço em áreas essenciais para o desenvolvimento.

Segundo o ex-ministro, o Brasil poderia conquistar um ciclo de expansão robusta caso adotasse medidas consistentes ao longo de dois mandatos consecutivos. Ele defendeu que a continuidade é um fator determinante para que projetos estruturais saiam do papel e não sejam interrompidos a cada troca de governo.

O discurso de Guedes reacendeu discussões sobre modelos econômicos e a necessidade de reformas estruturais. Especialistas avaliam que suas declarações dialogam com um debate mais amplo sobre o futuro do país e a forma como a política fiscal e monetária deve ser conduzida.

Enquanto isso, no campo da segurança pública, a megaoperação do BOPE segue sendo analisada por autoridades e por moradores das regiões afetadas. O conjunto de ensaios realizados antes da ação principal foi visto como uma tentativa de minimizar riscos em áreas onde a presença de grupos armados é intensa.

A estratégia adotada pelo BOPE também levanta questionamentos sobre a complexidade das operações em territórios dominados por facções criminosas. As operações preliminares ajudaram a revelar a extensão da presença armada e a lógica de movimentação interna das quadrilhas.

Mesmo com a realização das operações-ensaio, especialistas em segurança lembram que ações desse porte exigem constante adaptação. As facções costumam alterar suas táticas rapidamente, o que coloca pressão permanente sobre as forças policiais.

Ainda assim, a corporação afirma que o estudo aprofundado das áreas contribuiu para um planejamento mais detalhado. De acordo com o BOPE, esse tipo de análise prévia é fundamental para garantir que as operações ocorram com maior previsibilidade e precisão.

O impacto das ações tanto no contexto da segurança pública quanto na esfera política mostra como diferentes frentes de debate acabam se cruzando no cenário nacional. A operação policial, por um lado, expõe a complexidade do combate ao crime organizado. As declarações de Guedes, por outro, reforçam discussões sobre desenvolvimento econômico.

Ambos os temas, embora distintos, refletem desafios que exigem planejamento, estratégia e continuidade. Assim como o BOPE defende a importância de estudos prévios para a execução de suas operações, Guedes defende que o país também necessita de políticas duradouras para avançar.

A combinação entre segurança, economia e política segue moldando o debate público. À medida que novas ações são anunciadas e discursos são feitos, cresce a expectativa sobre os próximos passos em cada uma dessas áreas, que seguem influenciando diretamente o cotidiano dos brasileiros.

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