Uma tragédia no Encontro das Águas, em Manaus (AM), voltou a comover o país na última semana após o naufrágio da lancha Lima de Abreu XV. A embarcação, que fazia a rota entre Manaus e o município de Nova Olinda do Norte, afundou em águas dos rios Negro e Solimões na tarde de sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, deixando mortos, desaparecidos e dezenas de sobreviventes.
As equipes de resgate iniciaram de imediato as operações de busca e salvamento no local onde a embarcação virou, em meio às correntes fortes e ao turbilhão formado pela confluência dos rios. A sobreposição de águas e a profundidade complicaram o trabalho das equipes.
Dados oficiais apontam que cerca de 80 pessoas viajavam na lancha quando o acidente ocorreu. Destas, 71 foram resgatadas com vida por outras embarcações e equipes de emergência que atuaram rapidamente após o desastre.
Entre os sobreviventes está o adolescente João Henrique, de 17 anos, cuja história tem repercutido nas redes sociais e na imprensa. Ele relatou os momentos de pânico e o gesto decisivo da mãe, Apoliana Almeida, de 36 anos.
No relato, João relembra que sua mãe entregou a ele o próprio colete salva-vidas pouco antes de a embarcação afundar. Segundo ele, “Ela me deu o colete dela, sendo que eu sei nadar e ela não. Ela ficou segurando em mim, mas o desespero bateu. As últimas palavras dela foram: ‘filho, se salva’”.
O relato do jovem foi compartilhado nas redes sociais, viralizando em diversos posts e trazendo à tona a dimensão humana e dramática do episódio, em meio às buscas ainda em curso pelos desaparecidos.
O gesto de Apoliana, segundo familiares e conhecidos, simboliza o instinto de proteção materno diante de uma situação de risco extremo, e tem sido citado por sobreviventes e vizinhos desde a divulgação das primeiras informações sobre o naufrágio.
A embarcação era utilizada como transporte fluvial comum na região, como uma espécie de “ônibus dos rios”, um meio essencial para conectar comunidades isoladas. Acidentes nesse tipo de operação, embora raros, levantam debate sobre segurança e fiscalização.
Autoridades estaduais do Amazonas informaram que o comandante da lancha foi detido em flagrante por suspeita de homicídio culposo (sem intenção), mas foi liberado após pagamento de fiança. A investigação segue em andamento para apurar as causas do naufrágio.
Relatórios preliminares das equipes de resgate indicam que a embarcação pode ter enfrentado ventos fortes ou ondas elevadas no trecho onde naufragou, contribuindo para a instabilidade. A profundidade e as correntes locais, características da confluência dos rios, dificultam a aproximação dos mergulhadores.
Até o momento, pelo menos duas mortes foram confirmadas. Entre as vítimas está uma criança de aproximadamente 3 anos, identificada como Samyla de Souza, e uma mulher de 22 anos, Lara Bianca.
No entanto, atualizações recentes das autoridades indicam que outro corpo foi localizado durante as buscas, elevando temporariamente a contagem de mortos para três pessoas, embora os números possam variar conforme os registros oficiais sejam consolidados.
A situação de quem ainda está desaparecido preocupa resgatistas e familiares. As buscas prosseguem com mergulhadores especializados, embarcações da Marinha e equipamentos que auxiliam na localização de objetos submersos, apesar das dificuldades impostas pelas condições do rio.
Os familiares dos passageiros desapareceram desde o início das buscas. Nomes como o de Apoliana Oliveira e outros seis foram citados por parentes que integram uma lista não oficial de desaparecidos, com idade e vínculos familiares variados.
Enquanto isso, as autoridades oferecem suporte psicossocial e atendimento às famílias no Porto de Manaus, onde muitos se reuniram em busca de notícias sobre seus entes queridos desde o dia do naufrágio.
Sobreviventes relataram a falta de orientações de segurança e dificuldades para acionar equipamentos de emergência, o que tem sido analisado por peritos responsáveis pela investigação sobre possíveis falhas operacionais ou de manutenção.
O episódio reacendeu debates sobre a segurança das travessias fluviais na região amazônica, onde os rios funcionam como vias essenciais e, ao mesmo tempo, representam desafios naturais significativos para o transporte.
Representantes da empresa responsável pela lancha afirmaram estar colaborando com as autoridades para esclarecer os fatos e apoiar as famílias das vítimas, destacando compromisso com a transparência do processo investigativo.
Além dos esforços das equipes de resgate, grupos comunitários e organizações civis mobilizaram-se para oferecer ajuda humanitária às famílias afetadas, com arrecadações e apoio logístico no local.
Especialistas em transporte hidroviário ressaltam que acidentes dessa natureza, embora incomuns, exigem rigorosos protocolos de segurança, treinamento de tripulação e fiscalização contínua, principalmente em rotas com grande movimento.
O naufrágio no Encontro das Águas permanece como um dos episódios mais trágicos do transporte fluvial recente na região amazônica, deixando marcas profundas nas comunidades locais e no país em meio às difíceis buscas e ao luto das famílias.
