A apresentadora Adriane Galisteu revelou que a experiência de gravar a série sobre o tricampeão mundial de Fórmula 1, Ayrton Senna, seu ex-companheiro, foi “traumática” e a levou a considerar “desistir no meio” do processo.
A declaração joga luz sobre a complexidade emocional de revisitar um relacionamento de grande intensidade que terminou abruptamente com uma tragédia e que, ao longo dos anos, foi objeto de intensa escrutínio público e familiar.
A série biográfica sobre Ayrton Senna é um projeto de grande visibilidade, mas para Galisteu, que estava com ele no momento de sua morte em 1994, revisitar essa história exige mais do que apenas contar fatos: exige reviver o luto e o trauma.
Exposição Emocional: A gravação da série a obrigou a reprocessar publicamente a dor da perda e a dinâmica de um relacionamento que, por vezes, foi alvo de críticas e resistência por parte da família do piloto.
A Dor do Detalhe: A reconstituição de cenas, a rememoração de conversas e a imersão nos detalhes do passado podem ser extremamente difíceis, levando ao estresse emocional e à sensação de revivência (flashback) do evento traumático.
Gestão da Imagem: Galisteu sempre teve que lidar com o legado de Senna e com a maneira como sua relação foi retratada pela mídia e por terceiros. Participar da série é uma forma de reivindicar a sua verdade sobre o relacionamento, mas também a expõe a novos julgamentos.
O ceticismo nos permite analisar que, embora a participação seja dolorosa, ela também garante que a versão de Adriane Galisteu seja parte integrante da narrativa histórica e midiática sobre o piloto, algo que ela lutou para manter ao longo dos anos.
O Desafio da Produção Artística
A revelação de Galisteu serve como um lembrete aos produtores de conteúdo biográfico sobre a responsabilidade ética ao abordar vidas reais, especialmente quando envolvem figuras públicas ainda vivas e diretamente afetadas pela tragédia:
Apoio Emocional: É vital que produções que envolvam traumas passados ofereçam suporte psicológico adequado aos participantes.
Fidelidade versus Sensacionalismo: A busca pela fidelidade histórica precisa ser equilibrada com o respeito à dor dos envolvidos.
O “e daí” da declaração de Galisteu é a humanização da figura pública.
Ela mostra que, por trás da imagem de resiliência e sucesso, existe a vulnerabilidade de alguém que enfrentou uma perda monumental e que ainda carrega as cicatrizes emocionais dessa tragédia, mesmo décadas depois. Sua quase desistência sublinha o preço pessoal de transformar a própria história em entretenimento.
O impacto de Senna no Brasil é tão grande que qualquer produção sobre sua vida inevitavelmente mobiliza emoções profundas. A experiência de Galisteu é um testemunho da força desse legado e da intensidade da memória que ele ainda carrega.

