O encontro do corpo da adolescente indígena de anos, desaparecida em circunstâncias trágicas, não é um incidente isolado. A declaração de que “isso acontece com frequência demais” aponta para uma crise estrutural de violência e invisibilidade que atinge as comunidades indígenas, especialmente mulheres e jovens.
A Frequência da Tragédia e a Falha de Proteção
O desaparecimento e morte de jovens indígenas, sobretudo mulheres, é uma estatística que reflete a falha sistemática do Estado em garantir a segurança e a soberania desses povos. A frequência dessas tragédias sugere que:
Vulnerabilidade na Transição: Muitas vezes, esses jovens transitam entre a aldeia e os centros urbanos em busca de educação ou oportunidades, expondo-se a redes de violência, tráfico e exploração que são mais intensas nas cidades.
Racismo Estrutural: A invisibilidade é o pior inimigo. O crime contra indígenas frequentemente recebe menos atenção midiática e policial, alimentando um ciclo de impunidade que encoraja novas violências.
O Silêncio da Mídia e a Prioridade do Descaso
O ceticismo deve notar a desigualdade da atenção midiática. Enquanto crimes envolvendo celebridades ou a classe média branca dominam o noticiário, as tragédias que atingem as comunidades indígenas, como esta, são muitas vezes tratadas como estatísticas de rodapé.
Essa falta de atenção contribui para a normalização da violência. A dor dessas comunidades não mobiliza a pressão pública necessária para que as investigações sejam céleres e eficazes.
O “acontece com frequência demais” é a acusação mais contundente de que, para o poder público, a vida de uma jovem indígena tem um valor inferior no cálculo da prioridade.
O Alerta Ignorado e a Sobrevivência
A morte da adolescente é um alerta trágico de que as comunidades indígenas estão em uma situação de vulnerabilidade máxima.
A solução exige mais do que lamentações; exige políticas públicas coordenadas entre Funai, segurança e saúde, que atuem nas fronteiras territoriais e culturais. É preciso garantir que as polícias, os hospitais e os tribunais sejam treinados para tratar esses casos com a sensibilidade e o rigor que a violência contra grupos minoritários exige.
O preço da invisibilidade é a vida. A morte da jovem no Paraná (ou no local da reportagem original) é um lembrete de que o Brasil precisa parar de fechar os olhos para a crise silenciosa que mata a juventude indígena.

