O grave acident envolvendo um ônibus e um caminhão na Rodovia BR-101, em São Paulo, que resultou em 44 feridos, é um evento que transcende a estatística criminal ou a fatalidade.
É um sinal de alerta sobre a saturação logística e a fragilidade da segurança em uma das malhas viárias mais críticas e sobrecarregadas do país.
O Risco da Convivência Forçada
A BR-101, como eixo de escoamento de cargas e de transporte de passageiros, impõe uma convivência forçada e de alto risco entre veículos pesados e o transporte coletivo.
O alto número de feridos — 44 pessoas — demonstra a vulnerabilidade intrínseca dos ônibus em colisões com caminhões, onde a diferença de massa e velocidade amplifica o dano.
O ceticismo nos obriga a questionar: Por que acidentes dessa magnitude continuam a ser uma rotina nas rodovias paulistas?
A resposta passa pela fiscalização ineficiente do tempo de descanso dos motoristas de carga, pela qualidade da manutenção da frota e, crucialmente, pelo planejamento viário.
Muitas rodovias não foram projetadas para o volume e o tipo de tráfego que suportam atualmente, elevando a probabilidade de falha humana e mecânica.
️ O Custo Silencioso da Logística
O impacto desse tipo de acidente vai além da tragédia imediata. Ele gera congestionamentos massivos, prejuízos logísticos e um custo social enorme para a saúde pública, que precisa absorver dezenas de feridos em um único evento.
O que é noticiado como “acidente” é, muitas vezes, o resultado previsível da pressão por velocidade e da negligência na segurança rodoviária.
O “e daí” dessa ocorrência é o chamado à responsabilidade estrutural. É fundamental que as concessionárias e os órgãos reguladores invistam não apenas em asfalto, mas em tecnologia de monitoramento de fadiga e em campanhas de conscientização que atinjam diretamente os operadores de frotas.
A segurança nas rodovias é um termômetro da qualidade da infraestrutura e da eficiência regulatória de um país.

