Abaixo-assinado pede saída de Erika da Comissão da Mulher é mobilização cresce

A recente eleição de Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados desencadeou uma mobilização significativa nas redes sociais, que culminou na criação de uma petição eletrônica com mais de 157 mil assinaturas pedindo a saída da parlamentar do cargo.

O abaixo-assinado foi lançado na plataforma Change.org sob o título “Pela Representatividade Feminina na Presidência da Comissão da Mulher” e ganhou ampla divulgação entre usuários que criticam a escolha do nome da deputada para presidir o colegiado responsável por pautas ligadas às mulheres.

Autores da petição defendem que a presidência da comissão deva ser ocupada por alguém cuja atuação esteja mais diretamente associada às pautas femininas com base na distinção de sexo, e argumentam que já existem outros mecanismos legislativos voltados à população LGBTQIA+ no Congresso Nacional.

A campanha também foi impulsionada por meio da hashtag #elenão, expressão que remete ao movimento de oposição a candidaturas específicas em pleitos anteriores, ressignificada neste contexto por críticos da eleição.

A deputada federal foi eleita presidente da comissão na quarta-feira, após votação interna entre os integrantes da Câmara. O resultado terminou com 11 votos favoráveis e 10 votos em branco, mantendo o cargo sob a coordenação do PSOL em um acordo entre lideranças partidárias.

Antes de ocupar a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, Erika Hilton já havia assumido outras funções relevantes no Parlamento, inclusive como líder de bancada e titular de comissões relacionadas a direitos humanos.

Durante o debate que precedeu a escolha, membros de partidos de oposição criticaram a decisão, afirmando que a função deveria ser exercida por parlamentares com histórico específico em pautas tradicionais de defesa dos direitos de mulheres cisgênero.

A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) chegou a qualificar a eleição como uma “derrota para as mulheres na semana da mulher”, ao expressar seu posicionamento contrário à decisão do colegiado.

Outra voz crítica à escolha foi a senadora Damares Alves (Republicanos), que também ressaltou a importância de que espaços dedicados às políticas femininas sejam ocupados por mulheres com trajetória ligada a essas pautas.

A petição online afirma que a presidência da comissão deve refletir uma atuação política mais alinhada à distinção de sexo e à defesa de direitos especificamente relacionados às mulheres enquanto grupo social tradicionalmente definido por gênero biológico.

Organizadores do abaixo-assinado pedem que os líderes partidários e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reconsiderem a decisão e promovam revisão da escolha feita pelos parlamentares.

Nas redes sociais, a própria deputada Hilton respondeu às críticas com postagens em que relativizou os ataques, afirmando que não se deixaria abalar pelas opiniões contrárias mais agressivas.

Em um dos posts, a parlamentar escreveu: “E não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa”, reafirmando o tom de sua posição pública diante da controvérsia. (

Em outra publicação nas redes, Hilton também disse: “Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher. E foi a minha luta, a minha história e a minha garra que me trouxeram até aqui. E agora faremos um debate sobre todas as mulheres, porque somente unidas podemos frear a violência que nos assola”.

A discussão em torno da presidência da Comissão da Mulher ocorre em um momento de intensa visibilidade política para a parlamentar, que já obteve destaque nacional por sua atuação em pautas relativas a igualdade racial, direitos humanos e políticas de inclusão social.

Erika Hilton é filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e ganhou notoriedade ao se tornar, em mandatos anteriores, a primeira mulher trans eleita para cargos legislativos importantes, como a Câmara Municipal de São Paulo e a Câmara dos Deputados.

Sua trajetória política tem sido marcada por iniciativas que visam ampliar o debate sobre direitos de grupos historicamente marginalizados, incluindo propostas legislativas e participação em frentes parlamentares dedicadas a temas sociais complexos.

A vinculação da presidência da Comissão da Mulher a uma parlamentar trans, em um colegiado focado em direitos de mulheres, tornou-se o epicentro de um debate mais amplo sobre representação, identidade e critérios para ocupação de espaços institucionais.

Especialistas ouvidos por veículos de comunicação ressaltam que a discussão sobre representatividade envolve tanto aspectos legais quanto culturais, e que a mobilização social em torno do tema reflete tensões existentes na sociedade brasileira atual.

Até o momento, a petição segue coletando assinaturas e repercutindo nas redes sociais, enquanto atores políticos e cidadãos se dividem entre defesa e crítica à permanência de Hilton à frente da comissão, apontando diferentes perspectivas sobre como espaços dedicados a políticas de gênero devem ser ocupados e quais critérios devem nortear tais escolhas.

O episódio reafirma a complexidade do debate público em torno da representação política e de gênero no Brasil em 2026, com impactos que extrapolam os limites da própria comissão parlamentar.

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