A Operação do governo do Rio contra o Comando Vermelho teve repercussão internacional devido ás dezenas de mortes

O Rio de Janeiro voltou ao mapa — mas não pelos motivos que gostaria.
A operação policial deflagrada pelo governo fluminense nesta terça-feira (28) contra o Comando Vermelho transformou-se em notícia internacional, não pela eficácia, mas pela magnitude da tragédia.

Oficialmente, são 64 mortos, incluindo quatro policiais.
Extraoficialmente, o número pode ultrapassar 100 — um recorde sombrio até para uma cidade habituada à violência.

A reação global foi imediata.
Da ONU aos principais jornais do planeta, a retórica foi uníssona: espanto, condenação e alerta.

“Estamos horrorizados”, publicou a ONU no X (antigo Twitter), lembrando ao Brasil suas obrigações sob o direito internacional dos direitos humanos.
O comunicado pediu investigações “rápidas e eficazes”, mas a palavra que ficou foi horrorizados.

O The Guardian descreveu o episódio como “o dia mais violento da história do Rio”.
O El País falou em “jornada de caos colossal”, enquanto o francês Le Figaro apontou “contestação sobre a eficácia dessas operações que, embora comuns, raramente trazem resultados duradouros”.

O New York Times destacou o contraste entre o discurso do governador — que classificou a ação como um “ataque aos narcoterroristas” — e a realidade dos números.
Já o argentino Clarín resumiu o sentimento de muitos com uma frase de um internauta brasileiro: “Não é Gaza, é o Rio.”

Há um desconforto crescente: o Brasil, que tenta se apresentar ao mundo como potência verde e liderança global moderada, é visto, de novo, como o país que mata os próprios pobres em nome da segurança.
A diplomacia silenciosa do Itamaraty contrasta com o ruído das sirenes no Complexo da Penha.

O debate não é apenas jurídico — é moral e político.
Quantas vidas podem ser justificadas em nome da “ordem”? Quantas mortes cabem em uma política de segurança?

A guerra às drogas, nascida sob o argumento da proteção social, transformou-se em um campo de extermínio urbano.
Cada operação é uma promessa de paz que termina em necrotério.

O governador Cláudio Castro fala em “narcoterrorismo”, importando termos da geopolítica global para explicar o caos local.
Mas, ao fazê-lo, cria uma equivalência perigosa: a favela como território inimigo, seus moradores como suspeitos em potencial.

A ONU, ao se manifestar, tocou no ponto que o Brasil insiste em ignorar: o padrão letal não é exceção, é recorrência.
E quando a morte vira rotina, a barbárie se torna política de Estado.

Os jornais estrangeiros, embora distantes, enxergaram o que por aqui se tenta normalizar.
O problema não é o confronto com o crime — é o método, o descontrole, o preço humano que se repete década após década.

A cada novo massacre, o país reage por alguns dias, promete reformas e, em seguida, volta ao silêncio.
Enquanto isso, o mundo observa, perplexo, e se pergunta o que o Brasil vê quando olha para suas periferias.

Se as favelas são palco de guerra, o que isso diz sobre quem está no comando?
Talvez a resposta esteja nas manchetes estrangeiras: o Rio não é Gaza, mas o horror, hoje, fala português.

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