No início de 2025, uma frase atribuída ao religioso Cardeal Robert Sarah chamou a atenção de utilizadores nas redes sociais em vários países lusófonos. A citação em causa dizia que “A mulher é a criatura mais bela da criação, e não há nada mais repugnante do que um homem tentando imitá-la”, frase que se tornou viral em plataformas como Facebook, Instagram e X.
O conteúdo foi amplamente partilhado em posts que sugeriam que estas palavras teriam sido proferidas em algum momento pelo cardeal. Muitos utilizadores acreditaram tratar-se de uma declaração real, dadas as posições conhecidas do religioso sobre temas ligados à moral e à identidade na doutrina católica.
No entanto, uma análise rigorosa das afirmações revelou que a frase atribuída ao cardeal nunca foi proferida por ele em discursos públicos, entrevistas oficiais ou documentos verificados. Organizações especializadas em fact-checking classificaram a citação como falsa.
Fontes de verificação de fatos que monitorizam desinformação em língua portuguesa demonstraram que não existe registo dessa declaração no site oficial do Vaticano nem nas contas oficiais de redes sociais de Robert Sarah, incluindo X e Facebook.
Além disso, outros veículos independentes de fact-checking que rastreiam conteúdos virais confirmaram que a citação não aparece em qualquer entrevista, livro publicado ou discurso oficial do cardeal.
O Cardeal Robert Sarah, natural da Guiné-Bissau e figura influente na Igreja Católica, tem um histórico de intervenções públicas sobre temas teológicos e morais, mas a frase em questão não é documentada em parte alguma de sua obra ou pronúncias oficiais.
Sarah já foi apontado por alguns meios como possível sucessor do Papa Francisco, em parte devido à sua proeminência em questões doutrinárias da Igreja Católica, mas essa consideração não inclui a alegada citação.
Especialistas em comunicação religiosa afirmam que declarações atribuídas a figuras públicas que não aparecem em fontes oficiais podem alimentar desinformação, especialmente em contextos sensíveis como debates sobre gênero, identidade e tradições culturais.
A circulação da frase também coincidiu com um período de discussão pública sobre temas de gênero e identidade, o que pode ter impulsionado a sua disseminação, mesmo sem base factual.
Segundo a própria verificação de fato, a peça de desinformação começou a ganhar tração em abril de 2025, junto ao contexto do conclave que escolheria o sucessor do Papa Francisco.
As redes sociais têm sido terreno fértil para a circulação de citações falsas atribuídas a líderes religiosos e políticos. Estas citações muitas vezes misturam linguagem que parece plausível com a reputação pública de uma figura para ganhar aceitação.
A Igreja Católica, por sua vez, tem métodos estruturados de divulgação de discursos e publicações oficiais. Declarações de cardeais em linguagem pública normalmente são registadas em canais institucionais, como comunicados do Vaticano e pronunciamentos documentados.
Especialistas em verificação de fatos recomendam cautela sempre que uma citação controversa aparece sem referência clara a fonte, data e contexto de pronúncia.
No caso específico, a verificação demonstra que a frase atribuída não possui qualquer fonte primária verificada e não está identificada em registros oficiais de declarações públicas de Robert Sarah.
O episódio ilustra uma tendência recorrente em ambientes digitais, em que frases são fabricadas e depois amplificadas sem checagem editorial apropriada.
Organizações de fact-checking em diferentes países, incluindo Espanha e Chile, chegaram à mesma conclusão: a frase que circulou não foi dita pelo cardeal.
A rapidez com que conteúdos falsos se espalham online muitas vezes dificulta a compreensão imediata de que se trata de desinformação, sobretudo quando tocam temas emocionais ou identitários.
Mesmo figuras públicas com posições conservadoras ou progressistas podem ser alvo de citações inverídicas que exploram estereótipos ou preconceitos associados ao seu perfil.
No plano institucional, a Igreja Católica não deixou registros oficiais de que Robert Sarah tenha pronunciado a frase atribuída, e nenhuma publicação da Santa Sé a associa a essa afirmação.
Analistas de mídia digital salientam que frases apócrifas tendem a ganhar força em períodos de debates culturais intensos, favorecendo a polarização das audiências online.
Em suma, a alegação de que “A mulher é a criatura mais bela da criação, e não há nada mais repugnante do que um homem tentando imitá-la”, atribuída ao Cardeal Robert Sarah, não tem base em declarações oficiais ou verificáveis e foi classificada por meios especializados como falsa.
Este caso reforça a importância de confirmar a veracidade de citações antes de aceitá-las como verdadeiras, especialmente quando envolvem líderes religiosos ou figuras públicas reconhecidas.

