Confirmado pela agência climática dos EUA, El Ninõ eleva risco de enchentes e seca no Brasil. : trará impactos severos ao país

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O clima global está prestes a passar por uma chacoalhada daquelas que mexem com a rotina de todo mundo, e o aviso oficial veio diretamente dos cientistas que monitoram os oceanos. A agência climática dos Estados Unidos confirmou a formação oficial do fenômeno El Niño para este período. O anúncio acendeu o sinal de alerta em vários cantos do planeta porque as projeções indicam que não estamos diante de uma variação comum, mas sim de um evento com potencial para ser o mais devastador e intenso registrado desde a década de dezoito de cinquenta.

Para entender o tamanho do problema, esse aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico tem fôlego para durar até um ano inteiro, estendendo seus efeitos por várias estações seguidas. Esse prazo longo significa que as alterações no regime de ventos e de chuvas vão acompanhar a humanidade por muitos meses, exigindo um planejamento reforçado dos governos. O Brasil, por conta de sua imensa extensão territorial e posição geográfica, será um dos países a sofrer os impactos mais severos e diretos dessa mudança no termômetro do planeta.

A dinâmica do fenômeno funciona de um jeito curioso e vai rachar o mapa do território brasileiro ao meio, trazendo problemas completamente opostos para cada região. Nas regiões Sul e Sudeste, a ordem dos meteorologistas é para que as autoridades e os moradores fiquem em estado de atenção constante por causa da previsão de chuvas volumosas. A atmosfera mais quente vai jogar muita umidade sobre esses estados, elevando ao limite o risco de enchentes, alagamentos urbanos e deslizamentos de terra em áreas de encosta.

Dentro desse cenário de tempestades na metade inferior do país, os estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul aparecem no topo da lista de preocupações dos técnicos da Defesa Civil. Essas localidades já possuem um histórico doloroso de perdas com enchentes e agora precisam correr contra o tempo para limpar bueiros, reforçar diques e orientar as populações que vivem perto de rios. O monitoramento dos níveis das bacias hidrográficas terá que ser feito minuto a minuto para evitar surpresas trágicas ao longo dos próximos meses de cheia.

Enquanto o povo do Sul vai precisar tirar as capas de chuva e os botes do armário, a realidade nas regiões Norte e Nordeste será de puro calor e falta de água. O mesmo El Niño que despeja temporais em uma ponta do país atua como uma barreira que impede a chegada de frentes frias na outra extremidade, gerando estiagens severas. A previsão de secas prolongadas para o semiárido nordestino e para a bacia amazônica coloca em risco o abastecimento de água potável para consumo humano e animal em centenas de municípios.

Essa falta de umidade no topo do mapa traz consigo um outro perigo crônico que costuma devastar as florestas brasileiras: o aumento exponencial dos focos de incêndios florestais. Com a vegetação da Amazônia e do Cerrado ficando cada vez mais seca e esturricada pelo sol forte, qualquer faísca boba pode dar início a uma queimada de proporções gigantescas. O combate ao fogo exigirá investimentos pesados em brigadas de incêndio e fiscalização por satélite para evitar que o patrimônio ambiental seja transformado em cinzas.

O impacto desse desequilíbrio climático vai muito além do desconforto de um dia chuvoso ou de uma tarde de calor abafado, ameaçando bater direto no bolso do cidadão comum. Um dos setores que mais devem sofrer com as reviravoltas do tempo é a agricultura, que funciona como o motor econômico de muitas cidades do interior. O excesso de água no Sul pode apodrecer as plantações de grãos na raiz, enquanto a seca no Nordeste e no Centro-Oeste ameaça inviabilizar as safras de milho, soja e pastagens para o gado.

Com a produção no campo prejudicada pelas intempéries, o resultado natural e mais temido pelos economistas é a disparada generalizada no preço dos alimentos nas prateleiras dos supermercados. Itens básicos que não podem faltar na mesa do trabalhador, como o arroz, o feijão, legumes e as carnes, tendem a ficar mais caros devido à menor oferta de produtos de boa qualidade. A inflação da comida costuma corroer o poder de compra das famílias mais carentes, transformando o El Niño em um problema de economia doméstica.

A infraestrutura das grandes cidades também será testada ao limite, principalmente no que diz respeito ao gerenciamento dos reservatórios de água e à geração de energia elétrica. O Brasil depende muito das usinas hidrelétricas para manter as luzes acesas, e a falta de chuvas nas cabeceiras dos rios do Norte e Sudeste pode esvaziar as represas de forma perigosa. Se o nível da água baixar demais, o governo pode ser obrigado a ligar as usinas termelétricas, que são mais poluentes e caras, encarecendo a conta de luz no final do mês.

Os especialistas em saúde pública também olham para o avanço do fenômeno com preocupação, já que as mudanças extremas de temperatura e umidade alteram o comportamento de várias doenças. No Sul, o acúmulo de água parada após as enchentes facilita a proliferação do mosquito transmissor da dengue e aumenta os casos de leptospirose. Já nas regiões de seca, a poeira constante e o ar seco castigam o sistema respiratório de crianças e idosos, superlotando os postos de saúde com crises de asma e bronquite.

Diante de um panorama tão complexo, a palavra de ordem entre os gestores públicos precisa ser a prevenção ativa, deixando de lado a postura de apenas remediar os estragos depois que eles acontecem. Investir em sistemas de alerta precoce por mensagens de celular, obras de drenagem urbana e subsídios para o seguro agrícola são ações fundamentais para amortecer o tombo. O custo de preparar as cidades para enfrentar o pior do clima é muito menor do que o gasto bilionário necessário para reconstruir pontes, estradas e casas destruídas.

O planeta está dando sinais claros de que os eventos extremos vieram para ficar, e a confirmação deste super El Niño serve como um teste de fogo para a nossa capacidade de adaptação. O desenrolar dos próximos doze meses dirá se o país aprendeu com os erros dos anos anteriores ou se continuará sendo pego de surpresa pelas forças da natureza. Enquanto os termômetros do Pacífico continuam subindo, resta à população acompanhar as previsões do tempo e torcer para que os efeitos fiquem abaixo do pior cenário previsto pelos cientistas.

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